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21 de abril de 2021
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Após 12 anos de gasoduto, menos de 1% da frota de veículos do AM usa GNV

Esse número revela um mercado ainda subaproveitado, que deposita as esperanças na 'Lei do Gás', que será votada nesta terça-feira (2)

Após 12 anos de gasoduto, menos de 1% da frota de veículos do AM usa GNV
(Foto: Agência Petrobrás/ Geraldo Falcão)

Após 12 anos do início das operações do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, apenas 2. 314 veículos no Amazonas foram adaptados para utilizar o gás natural veicular (GNV). Esse número representa apenas 0, 23% do total da frota de veículos do estado – que corresponde a 1. 014. 247 – e revela um mercado ainda subaproveitado, que agora deposita as esperanças na ‘Lei do Gás’ para alavancar.

O Projeto de Lei 4476/2020, que muda o marco regulatório do setor, deve ser votado nesta terça-feira (2) na Câmara dos Deputados após ter passado por mudanças no Senado, e, em seguida, o texto será encaminhado para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. A expectativa do relator Laercio (PP-SE), no entanto, é que o PL siga para a sanção presidencial sem as alterações feitas pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Entre as mudanças que a lei propõe, está a entrada de empresas no setor por meio da contratação por autorização, o compartilhamento de estruturas existentes com terceiros mediante pagamento e autorização para que grandes consumidores construam seus próprios dutos.

Para o economistas Orígenes Martins e Denise Kassama, a abertura do mercado é o que Amazonas precisa para desenvolver o setor. “Se nós encontrássemos um grande investidor que resolvesse explorar o polo de Urucu, teríamos um crescimento espetacular na área de petróleo em nossa região”, afirma Orígenes.

Já Denise afirma que a entrada de novas empresas pode aumentar a competitividade no setor e reduzir os preços para o consumidor. No entanto, ela destaca que “o capital privado provavelmente realizará estudos para definir onde é mais vantajoso investir para obter melhor retorno. Então, há um risco muito grande de muitas regiões não serem contempladas devido ao baixo consumo potencial”.

Entraves

Diante dos aumentos constantes do preço da gasolina, o GNV seria uma alternativa de combustível barato e assim foi apresentado em 2009, todavia, com o passar dos anos, surgiram vários entraves para o desenvolvimento do mercado, que vão desde o alto custo do kit de conversão à competitividade, como explicam os economistas.

“Passada mais de uma década, é possível veículos de passeio terem acesso. Entretanto, o alto custo do kit de conversão (em valores que podem ultrapassar R$ 6.000,00) e a baixa oferta de postos que realizam este abastecimento não estimulam o aumento da demanda em Manaus. A falta de investimentos para aumentar a capilaridade no fornecimento também prejudicam o consumo”, explica Denise.

Atualmente, em Manaus, há apenas três postos de combustíveis disponíveis para abastecimento do GNV, sendo dois da bandeira Atem, localizados na Constantino Nery, zona Centro-Sul e na avenida Torquato Tapajós, zona Norte, e outro da bandeira Equador, também na Torquato Tapajós. Segundo a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), nos próximos meses, mais dois postos de combustíveis devem passar a operar com GNV em outras áreas da cidade.

Além desses entraves, o economista Orígenes relembra que as obras do gasoduto chegaram a ser interrompidas anos atrás, quando o Brasil fechou acordo com a Bolívia. “Nosso polo de petróleo, que não seria somente gás, ficou sendo considerado inviável”, disse.

Investimentos

Questionada pelo Portal AM1 sobre as atuais ações para alavancar o setor, a Cigás informou que, ao longo dos anos, tem investido em campanhas de incentivo à conversão e regularização de carros para o uso de GNV.

“O Amazonas está entre os estados que detêm a maior oferta de postos GNV por veículo convertido. Nesse mercado, o acréscimo da quantidade de postos ocorrerá à medida em que o número de carros convertidos também aumente, por isso que a Cigás investe em campanhas para ampliação da demanda da frota de carros a GNV”, afirmou.

A companhia informou, também, que realiza campanhas que oferecem benefícios para a adaptação de veículos. Ainda segundo a companhia, atualmente, uma ação está sendo estudada para incentivar a utilização do GNV, ainda neste ano.

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