Manaus, 1 de novembro de 2026
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Manaus, 1 de novembro de 2026

Política

Após 41 anos, Justiça libera documentos médicos sobre morte de Tancredo Neves

Decisão do TRF-1 derruba restrições de sigilo e permite acesso da família aos registros do atendimento que antecedeu a morte do primeiro presidente eleito após a ditadura militar.

(Foto: Célio Azevedo/Agência Senado)

Manaus (AM) – Mais de quatro décadas após a morte de Tancredo Neves, a Justiça Federal autorizou a liberação de documentos médicos relacionados aos últimos dias de vida do ex-presidente. A decisão, tomada por unanimidade pela 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), abre caminho para que a família tenha acesso a prontuários, laudos e relatórios sobre o tratamento recebido em 1985.

O recurso foi apresentado por Tancredo Augusto Tolentino Neves, filho do ex-presidente, após o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) negarem o fornecimento dos registros com base no sigilo profissional.

Ao analisar o caso, o relator, desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, considerou que a proteção ao sigilo médico não pode ser tratada como uma barreira absoluta diante de circunstâncias excepcionais. O entendimento levou em consideração o direito dos familiares de acessar as informações e a relevância histórica do episódio.

Com a decisão, as entidades médicas deverão disponibilizar os documentos solicitados, sem exigir que cada herdeiro apresente um pedido individual.

A liberação representa um novo capítulo em um dos episódios mais marcantes da história política brasileira. As circunstâncias da internação, das cirurgias e da morte de Tancredo Neves alimentam questionamentos há décadas.

Uma morte que marcou a história do Brasil

Eleito presidente da República em 15 de janeiro de 1985 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Tancredo Neves representava a expectativa de encerramento de 21 anos de regime militar. Sua posse estava prevista para 15 de março daquele ano, mas, na véspera, ele foi internado em Brasília após apresentar complicações de saúde.

Inicialmente atendido no Hospital de Base, o político foi diagnosticado com diverticulite e passou por uma série de procedimentos cirúrgicos. Posteriormente, foi transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, onde permaneceu internado até morrer, em 21 de abril de 1985, aos 75 anos.

Sem chegar a assumir a Presidência, Tancredo foi substituído pelo vice-presidente eleito, José Sarney, que tomou posse em seu lugar.

Agora, o acesso aos registros médicos poderá permitir que a família examine os procedimentos adotados durante o período de internação. Os documentos também poderão contribuir para a segunda edição do livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves, escrito por Luís Mir e publicado originalmente em 2010.

 

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