(Foto: Divulgação/Instagram @joyceeesarmento)
Manacapuru (AM) – Uma estudante de Direito e ativista social, identificada como Joyce Sarmento, publicou um vídeo nas redes sociais alertando para o que classificou como uma situação “séria e grave” envolvendo as políticas públicas voltadas às mulheres no município de Manacapuru, após a aprovação do Plano Plurianual (PPA).
Na gravação, ela afirma que o novo PPA prevê a redução da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, que deixaria de ter autonomia administrativa e passaria a funcionar como uma secretaria executiva vinculada à pasta da Assistência Social. Segundo a ativista, a mudança representa um retrocesso, especialmente diante do cenário atual de violência e misoginia enfrentado por mulheres no município, no país e no mundo.
A estudante destaca que a existência de uma secretaria específica para as mulheres é significativa justamente pelo momento vivido pela sociedade, marcado, segundo ela, por uma onda de violência e discriminação de gênero. Na avaliação da ativista, políticas públicas voltadas às mulheres não devem ser tratadas como assistencialismo ou favor, mas como uma urgência e prioridade.
“Precisamos de proteção, precisamos de autonomia e precisamos ser prioridade no mundo em que vivemos hoje”, afirmou no vídeo.
A ativista também convocou as mulheres de Manacapuru a se posicionarem contra a medida e a pressionarem o poder público para que a Secretaria de Políticas para as Mulheres seja mantida ativa e com autonomia. Além disso, ela manifestou preocupação com a possível perda de força da secretaria responsável pelas políticas voltadas à infância e juventude, ressaltando a importância de ações integradas para a construção de políticas públicas a longo prazo.
“Peço também força de vocês para pressionar o poder público de Manacapuru para que, assim como a Secretaria de Mulheres, seja mantida com sua autonomia para trabalhar as políticas para as mulheres. Pedimos também que a secretaria que trabalha com a infância e juventude, importantes para estarem até em conjunto, para conseguirmos construir algo nos próximos anos, não acabe sendo meros departamentos esquecidos dentro de uma assistência social”, disse.
Durante a fala, a estudante fez críticas à vinculação dessas políticas à Assistência Social, mencionando que a pasta possui um histórico que, segundo ela, não garante a proteção adequada às mulheres. Ela citou, inclusive, um caso envolvendo um ex-secretário da área que foi preso por crimes de abuso sexual.
“Assistência essa, inclusive, que já tem um histórico de não proteger mulheres. Ao contrário, tem um histórico de ser um local onde nós tivemos um secretário de assistência que foi preso simplesmente por estuprar e abusar. Então, é muito sério e grave o que está acontecendo. Precisamos que o poder público verifique o que está acontecendo”, comentou.
Ao final do vídeo, a ativista afirmou que o município avançou ao longo dos anos na criação dessas secretarias e que não pode haver retrocesso. Ela disse ainda que já esteve em Manaus buscando apoio e atenção para o tema e que pretende continuar mobilizada para que a decisão seja revista.
Confira
O Portal AM1 entrou em contato com a Prefeitura de Manacapuru solicitando esclarecimentos sobre as mudanças previstas no Plano Plurianual (PPA) referentes à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. A reportagem questionou se a pasta perderá autonomia administrativa com o novo PPA, se passará a ser vinculada à Secretaria Municipal de Assistência Social e se a gestão municipal avalia a possibilidade de revisão da medida.
A reportagem também solicitou o posicionamento oficial da Prefeitura sobre as críticas levantadas no vídeo publicado pela estudante de Direito e ativista social. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
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