Manaus, 16 de julho de 2026
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Manaus, 16 de julho de 2026

Cidades

Ato no Encontro das Águas marca Dia Mundial da Água com protesto em Manaus

Participantes cobraram preservação ambiental e denunciaram ameaças aos rios da Amazônia durante romaria fluvial.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – Em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), o Fórum das Águas do Amazonas promoveu a terceira edição da Romaria das Águas, reunindo organizações da sociedade civil, movimentos sociais e ambientais em defesa do acesso à água e da preservação dos recursos hídricos na Amazônia. O evento ocorreu pela manhã, com uma barqueata que saiu do Porto da Ceasa em direção ao Encontro das Águas, um dos principais cartões-postais da capital amazonense.

Com o tema “Água, fonte de vida e bem comum: nossos rios não estão à venda!”, a mobilização destacou a importância da água como direito coletivo e denunciou ameaças aos rios amazônicos, como propostas de privatização e exploração econômica. A programação incluiu momentos de espiritualidade, manifestações culturais e falas de representantes das 16 entidades que integram o Fórum.

A Romaria também teve caráter político, ao chamar atenção para projetos que colocam em risco os recursos hídricos da região. Entre os pontos abordados esteve a recente revogação do Decreto nº 12.600/2025, que previa a inclusão de trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização. A medida foi suspensa após pressão de povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

Segundo o padre e pesquisador Sandoval Rocha, membro da coordenação do Fórum, a iniciativa expressa a resistência das populações amazônicas frente a modelos econômicos considerados predatórios. Ele alertou que atividades minerárias, industriais e agropecuárias têm provocado impactos diretos nas águas, no solo e na biodiversidade, afetando comunidades inteiras.

A presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA), Ana Lúcia Silva Gomes, reforçou que a Romaria representa um momento de união em torno da defesa ambiental. Ela destacou que a dinâmica das águas é fundamental para a vida na região, influenciando tanto comunidades ribeirinhas quanto moradores urbanos.

Apesar de concentrar uma das maiores reservas de água do planeta, a Amazônia enfrenta desafios significativos relacionados ao acesso à água potável e ao saneamento básico. Dados do Ranking do Saneamento 2025 indicam que cidades da região, incluindo Manaus, estão entre as piores colocadas do país nesse quesito.

Além disso, fatores como desmatamento, queimadas e mudanças climáticas têm alterado o ciclo hidrológico, intensificando eventos extremos. Em 2024, o Amazonas registrou a maior seca de sua história, evidenciando a vulnerabilidade ambiental da região.

Encerrada por volta do meio-dia, a Romaria das Águas reafirmou o compromisso das organizações participantes com a defesa dos rios amazônicos e com a conscientização da sociedade sobre a importância da água como bem público e essencial à vida.

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