Manaus, 25 de outubro de 2026
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Manaus, 25 de outubro de 2026

Política

Bahia flagra 544 ônibus parados e expõe falhas no transporte durante eleição

Veículos aptos a circular ficaram retidos em cinco garagens de Salvador, enquanto eleitores enfrentavam dificuldades para chegar às urnas.

(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Enquanto eleitores enfrentavam dificuldades para chegar aos locais de votação no segundo turno das eleições, 544 ônibus do transporte público de Salvador foram encontrados parados em cinco garagens, apesar de estarem aptos a circular, segundo o governo da Bahia. A situação levou a Justiça Eleitoral a exigir o restabelecimento imediato de toda a frota e provocou uma operação de fiscalização em meio às denúncias de falhas no serviço.

O caso expõe um problema que vai além da circulação dos coletivos: em um dia decisivo para a democracia, veículos disponíveis para transportar a população permaneceram nos pátios das empresas, enquanto eleitores relatavam demora e dificuldades de deslocamento.

A Secretaria de Comunicação Social do governo baiano confirmou que os fiscais localizaram ônibus parados em garagens de diferentes regiões da capital. Duas ficam na região da Barros Reis e três no Subúrbio.

Na garagem da OT Trans, foram encontrados 55 veículos no pátio, todos aptos a operar. Segundo a secretaria, a situação configura descumprimento da legislação eleitoral, que prevê a utilização da frota necessária para garantir o transporte durante o período de votação. A empresa foi fiscalizada e poderá sofrer medidas administrativas.

Na OT Trans G3, no bairro Campinas de Pirajá, havia outros 118 ônibus parados. A Integra Plataforma Barros Reis (G7) mantinha 55 veículos no pátio, enquanto a Integra Plataforma Suburbana tinha 142 unidades. Já na garagem da OT Trans localizada na Estrada Velha de Campinas de Pirajá, foram encontrados mais 174 ônibus.

A fiscalização continuava em outras garagens de Salvador, segundo o governo estadual.

Justiça exige frota completa após denúncias

Diante do cenário, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade total para os passageiros.

A determinação ocorreu em meio às reclamações de eleitores que enfrentavam dificuldades para chegar às urnas. A situação levanta questionamentos sobre a organização do serviço e a responsabilidade das empresas e autoridades em assegurar condições adequadas de deslocamento em uma data eleitoral.

O magistrado também determinou à Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.

Governo oferece policiais para dirigir coletivos

Após a decisão judicial, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), informou, em publicação na rede social X, que colocou a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para identificar policiais com habilitação na categoria D, caso fosse necessário conduzir os ônibus.

A medida evidencia a dimensão da resposta mobilizada para tentar normalizar o transporte durante a votação. Em vez de o sistema funcionar regularmente, foi necessário discutir o emprego de profissionais de outras áreas para ajudar a colocar os coletivos nas ruas.

A Prefeitura de Salvador, por sua vez, afirmou que determinou a liberação de todos os ônibus das garagens, inclusive daqueles com adesivação considerada propaganda irregular, para facilitar o deslocamento dos eleitores.

Ônibus parados, eleitores prejudicados

Desde as primeiras horas deste domingo, eleitores relatavam demora e problemas na circulação dos coletivos. A descoberta de centenas de veículos aptos a operar, mas mantidos nas garagens, agravou a preocupação com o acesso da população aos locais de votação.

Em um dia em que o poder público deve assegurar condições para que a população exerça o direito ao voto, a retenção de ônibus transforma o transporte coletivo em mais um obstáculo para quem depende do serviço.

A fiscalização do governo estadual e a determinação do TRE-BA buscam restabelecer a operação.

 

(*) Com informações da Agência Brasil

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