(Foto: Paulo Andrade/ Assessoria Boi Caprichoso)
Manaus (AM) – O Boi-Bumbá Caprichoso comemora neste sábado (18) à partir das 21hs, seus 112 anos de fundação com uma grande festa no Curral Zeca Xibelão, em Parintins. O evento marca o início da temporada de 2026 e contará com a presença dos itens oficiais e um elenco de artistas do bumbá azul e branco. Durante a celebração, o Caprichoso também anunciará o tema que levará ao Festival de Parintins de 2026.
O presidente Rossy Amoedo destacou ao Portal AM1 que a data representa a reafirmação de um trabalho construído com amor e dedicação ao longo de várias gerações, que o momento atual é resultado do esforço de inúmeras pessoas que, de maneira simples e movidas pela paixão, contribuíram para que o Caprichoso se tornasse um dos maiores símbolos culturais do Norte do país, hoje reconhecido também em nível nacional e internacional.
“Hoje estamos aqui porque muitas pessoas, muitas e muitas vezes, na sua forma humilde de entender e visualizar aquele amor, fizeram com que aquilo crescesse e chegasse aonde chegou hoje, o Boi-Bumbá Caprichoso como a maior representação cultural do Norte, reconhecida nacional e internacionalmente”, destacou o presidente.
Rossy Amoedo afirmou sentir-se honrado e feliz por ter crescido dentro do boi, acompanhando sua evolução artística e alegórica, e por poder, atualmente, ser uma das mãos que ajudam a manter vivo esse legado cultural.
“Hoje me sinto feliz e honrado em poder fazer e ser uma dessas mãos que ajudaram a construir esse legado cultural, que é o Boi-Bumbá Caprichoso”, declarou Rossy Amoedo.
Projetos e desafios
Sobre os projetos e desafios futuros, o presidente ressaltou em entrevista exclusiva ao portal que o Boi Caprichoso continuará investindo fortemente em ações sociais e na estrutura física da associação, buscando oferecer melhores condições de trabalho aos artistas e garantir um futuro sólido para o boi.
“O Caprichoso continua investindo muito no seu social, na construção do futuro caprichoso, investindo mais em estrutura física para dar uma melhor condição aos seus artistas”, afirmou.
O presidente enfatizou ainda que o objetivo é garantir o cuidado e a valorização de todos os profissionais que fazem parte do espetáculo.
“Nós queremos sempre cuidar de todos os que produzem o espetáculo, do menor, do dançarino, do coreógrafo, do escultor, do pintor, do soldador, das costureiras, de todos os segmentos que pensam e constroem o boi”, explicou.
Rossy Amoedo também fez questão de destacar o papel dos marujeiros e da “raça azul”, grupo conhecido como item 19 do Festival de Parintins. Segundo ele, trata-se de pessoas que contribuem de maneira voluntária, movidas pela paixão pelo boi.
“Eles fazem um trabalho incrível e totalmente gratuito, só movidos pelo sentimento da paixão do Boi-Bumbá, da paixão e do amor que têm pelo Caprichoso”, ressaltou.
Preparativos para 2026
Questionado sobre o tema e a visão artística para o Festival de Parintins de 2026, Rossy Amoedo se mostrou otimista e confiante.
“Estou muito feliz e seguro com o tema, muito, muito feliz da forma como o tema foi construído e pensado pelo Conselho”, afirmou.
O presidente adiantou que o Caprichoso prepara três noites de espetáculos grandiosos, com apresentações consistentes e repletas de significado, que irão manter o equilíbrio entre tradição e inovação.
“Esperamos, mais uma vez, três noites de belíssimas apresentações, espetáculos muito bem consistentes, pautados e moldados, deixando sempre uma mensagem, mas com um pé firme na raiz, no chão”, explicou o presidente.
Por fim, Rossy Amoedo reafirmou o compromisso do boi com sua essência e com o povo de Parintins:
“O Caprichoso sempre vai estar à frente do seu tempo, pensando e fazendo o melhor para a população de Parintins, através de tudo aquilo que ele apresenta e representa para a nossa população”, concluiu.
Uma breve história do Boi Caprichoso

(Foto: Paulo Andrade Assessoria Boi Caprichoso)
A história do Boi Caprichoso, um dos maiores ícones culturais do Brasil, começou em 20 de outubro de 1913, nos antigos bairros de Reduto do Esconde e Bandas do Urubusal, em Parintins (AM). De acordo com a biografia oficial distribuída à imprensa, foi ali que surgiu o lendário touro negro da América, símbolo máximo da tradição e da criatividade amazônica.
A criação do boi está intimamente ligada à trajetória de Roque Cid, que idealizou a brincadeira e foi sucedido por nomes marcantes como Emídio Vieira, Antonio Boboim, Pedro Cid, Nascimento Cid, Luiz Gonzaga, Nilo Gama, Ervino Leocádio e Luiz Pereira. Juntos, esses pioneiros ajudaram a construir a identidade e a força da nação azul e branca.
Com 26 títulos conquistados ao longo de sua história, o Boi Caprichoso levantou seu primeiro troféu oficial em 1969. Na década de 1970, consolidou-se como uma potência no Festival Folclórico de Parintins, vencendo em 1972, 1974 e alcançando um notável tricampeonato entre 1976 e 1979.
Mais de 110 anos após sua fundação, o Caprichoso segue como um dos pilares da cultura amazônica. A nação azul e branca mantém viva a promessa feita pelos irmãos Cid há mais de um século: preservar a tradição, a arte e a alegria do povo de Parintins.
A cada apresentação no Bumbódromo de Parintins, durante as três noites do festival, o Boi Caprichoso reafirma seu papel como guardião de uma cultura nascida da migração, fortalecida pela diversidade e eternizada no coração do Brasil.
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