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19 de abril de 2021
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Bolsonaro sorridente nas praias

Enquanto os adversários conflitam entre si e estão acuados pela falta de vacinas, pela crescente pobreza e pelos conflitos partidários e de poder Bolsonaro anda sorridente, caminha sem máscara e dá mergulhos nas águas do mar de Santa Catarina

Bolsonaro sorridente nas praias

O presidente Jair Bolsonaro começou a semana passeando, sem máscara e sorridente nas praias de Santa Catarina. Um novo bronzeado e um descanso longo, depois de uma semana de vitórias no Congresso Nacional e do enfraquecimento da ideia de frente partidária anti-bolsonaro, facilitando ainda mais a sua possível reeleição em 2022, num país que passa por grave crise sanitária, econômica e com milhares de pessoas mortas por causa da pandemia do coronavírus.

Bolsonaro elegeu os seus preferidos para presidir o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, senador Rodrigo Pacheco (DEM) e o deputado Arthur Lira (PP/AL). Não fez nada de diferente da política tradicional e do modus operandi dos outros presidentes que passaram pelo Palácio do Planalto. Usou verbas públicas sem constrangimento para conquistar votos dos congressistas, alimentando a famosa prática do toma lá dá cá, e deixando distante a aceitação de qualquer pedido de Impeachment dele pela Câmara.

As vitórias no Congresso Nacional têm ainda um sabor de avanço político para consolidar o seu projeto eleitoral e de líder maior da nação. Ao lado do presidente, já está uma parcela significativa das igrejas cristãs, em especial as evangélicas, setores importantes da segurança pública e privada, a maioria dos membros das forças armadas, grandes grupos de comunicação como a Record e SBT, grupos poderosos de empresários, governadores de Estado, de prefeitos e de inúmeros brasileiros que cultuam o discurso conservador na administração pública.

Pelas movimentações políticas da semana que passou, Bolsonaro caminha para montar uma grande aliança eleitoral com a participação dos partidos do ‘Centrão’, com apoiadores tradicionais e com novos grupos políticos a partir do oferecimento de cargos na administração federal. Por outro lado, os partidos de oposição diminuem e, os que resistem, não estão conseguindo sequer organizar uma agenda política buscando a unidade.

O PSDB está dividido. Parte da bancada parlamentar federal e de governadores do partido estão flertando com o presidente, criando, inclusive, obstáculos para candidatura à presidência de João Dória, governador do estado mais populoso e de maior número de eleitores. O MDB ensaia uma oposição ao governo. Uma postura difícil para um partido que sempre foi governista. O DEM aliou-se de vez com o presidente.

Nem os partidos de esquerda conseguem uma convergência eleitoral para construir uma candidatura única para o pleito 2022. Nas últimas eleições municipais, não conquistaram números significativos de prefeituras, embora tenham nomes respeitáveis, governadores e prefeitos. Há desgastes eleitorais e divergências sobre estratégias e alianças. Isso acaba facilitando a possível recondução de Bolsonaro ao cargo presidencial, em 2022.

Demostrando força política e apoio no Congresso Nacional, o presidente editou normas que facilitam o acesso às armas de fogo e de munições, reforçando o apoio político e de grupos sociais que ajudaram a elegê-lo.

As pesquisas eleitorais e de avaliações de governo e do comportamento pessoal do presidente são favoráveis, levando em consideração a situação econômica e de saúde do Brasil, além dos números de falecidos pela Covid-19.

O atual contexto político do país indica hoje um Jair Bolsonaro muito fortalecido para 2022. Enquanto os adversários conflitam entre si e estão acuados pela falta de vacinas, pela crescente pobreza e pelos conflitos partidários e de poder, Bolsonaro anda sorridente, caminha sem máscara e dá mergulhos nas águas do mar de Santa Catarina.

*Sociólogo, Analista Político, Advogado e Membro da Academia de Letras e Culturas da Amazônia – Alcama

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