(Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)
Vieira escreveu o artigo em função da presidência brasileira dos Brics este ano, que culmina na reunião de cúpula a partir deste domingo (6), no Rio. Na visão dele, o bloco constitui um “exercício criativo” de diplomacia muito útil para os dias atuais. “A premissa do mundo em crise nos assalta a cada momento, no celular ou em outras telas por onde nos chega a informação em tempo real: falo da proliferação dos conflitos armados em curso no mundo, das guerras na Ucrânia, Palestina, Mianmar e Sudão ao drama cotidiano da espiral de violência das gangues no Haiti”, citou.
O embaixador citou a origem do acrônimo Brics pelo economista Jim ONeill, que se referiu aos “mercados emergentes” Brasil, Rússia, Índia e China e à tendência de que ocupariam participação crescente no PIB mundial, “ONeill criou o acrônimo e defendeu a tese de que era necessária uma reconfiguração do G7 para abrir espaço para esses novos protagonistas, liderados pelo crescimento expressivo da China.” Hoje, os membros do bloco se autodeclaram países do “Sul Global”.
Faixa de Gaza
Vieira salientou que a Organização das Nações Unidas e seu Conselho de Segurança mostram-se incapazes de promover reformas voltadas a assegurar uma representatividade em sintonia com a realidade geopolítica do século XXI e a oferecer respostas eficazes aos desafios do momento. A reforma da instituição é um dos pontos defendidos pelo Brasil não apenas no Brics, mas também em outros fóruns multilaterais, como o do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20). “A arquitetura de segurança pós-Segunda Guerra Mundial dá claras mostras de esgotamento e requer reformas profundas.”
Tarifaço
Segundo o ministro, o Brics continuará a falar com uma só voz, a partir de agora reforçada pelo peso ampliado de seus 21 integrantes, entre membros plenos e parceiros. “A expansão fortaleceu o Brics como plataforma para responder aos desafios da atualidade e do futuro, entre eles a defesa da diplomacia e do multilateralismo, cuja reforma e fortalecimento já não podem mais esperar. Somente uma ação coletiva rápida e eficaz pode reverter o atual quadro de debilidade das instituições internacionais”, defendeu.





