(Foto: Arquivo/Depositphotos.com)
Manaus (AM) – O consumo de cafés especiais vem ganhando espaço em Manaus e provocando uma mudança gradual no comportamento do consumidor, que passa a valorizar não apenas o preço, mas também a qualidade, origem e experiência sensorial da bebida. A avaliação é da empreendedora Karla Mendes, especialista no segmento, em entrevista ao programa AM1 Entrevista.
Segundo ela, o avanço desse mercado acompanha uma tendência nacional, mas já apresenta reflexos claros na capital amazonense, especialmente com o crescimento de cafeterias e de um público mais interessado em conhecer o produto.
“O amazonense também está mais exigente. Hoje existem cafeterias muito boas na cidade, e as pessoas estão começando a entender mais o que estão tomando, a perceber diferença de sabor, de qualidade”, afirmou.
Diferença entre café especial e tradicional está no sensorial
Karla explica que a principal distinção entre os tipos de café está no chamado sensorial, ou seja, na experiência de sabor que a bebida proporciona.
“Quando você toma um café especial, você consegue perceber notas naturais daquele grão, como chocolate, caramelo, frutas. Já o café tradicional costuma ser mais amargo e menos complexo”, disse.
Ela ressalta que o Brasil, apesar de ser um dos maiores produtores de café do mundo, historicamente exportou os melhores grãos, deixando no mercado interno produtos de qualidade inferior.
“Durante muito tempo, o brasileiro foi acostumado a tomar um café de baixa qualidade. Por isso, muita gente associa café a amargor e à necessidade de colocar açúcar”, pontuou.
Mudança de hábito acontece de forma gradual
A empreendedora destaca que a transição para o consumo de cafés especiais não acontece de forma imediata, mas sim progressiva.
“É um processo. A pessoa começa experimentando, reduzindo o açúcar aos poucos, entendendo o sabor. Não é algo de um dia para o outro”, explicou.
Como estratégia, ela recomenda que o consumidor comece pelos cafés gourmet, considerados intermediários, antes de migrar para os especiais.
Preço ainda é barreira, mas percepção muda
Apesar do crescimento do segmento, Karla reconhece que o preço ainda é um fator limitante para parte da população.
“O café especial ainda pesa no orçamento de algumas pessoas, isso é real. Mas, ao mesmo tempo, muita gente já entende que está investindo em qualidade, em saúde e em experiência”, afirmou.
Segundo ela, o custo mais elevado está diretamente ligado a todo o processo produtivo, que envolve seleção manual de grãos, controle de qualidade e rastreabilidade.
Mais que bebida, café vira experiência
Karla avalia que o avanço dos cafés especiais está diretamente ligado a uma mudança de percepção: o café deixa de ser apenas um hábito automático e passa a ser um momento de pausa.
“O café hoje é um momento de conexão, de conversa, de reflexão. Não é só beber café, é viver aquele momento”, concluiu.
Assista à entrevista na íntegra:
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