(Foto: Divulgação/CMM)
Manaus (AM) – Depois de fazer história nas Eleições de 2024 ao ser o primeiro presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) a não conseguir renovar o mandato de vereador, Caio André (UB) também conquistou o título de “pé-frio”. Isso porque os candidatos que ele apoiou no 1º e 2º turno da eleição municipal deste ano fracassaram.
Roberto Cidade, candidato do União Brasil (UB), mesmo partido de Caio André, não passou do 1º turno. Sem conquistar a reeleição para os próximos quatro anos, o presidente da CMM viu em Capitão Alberto Neto (PL) a chance de conseguir se manter no poder.

Roberto Cidade (à esquerda), candidato apoiado por Caio André (à direita) no primeiro turno das eleições municipais de 2024 (Foto: Herick Pereira/Aleam)
Isso porque, em caso de uma vitória de Alberto Neto, Caio poderia se manter na CMM ao assumir o próximo mandato como vereador suplente. Nesse caso, algum outro candidato eleito pelo UB poderia assumir uma secretaria na prefeitura de Alberto Neto.
Por outro lado, como prêmio de consolação, o próprio Caio André poderia assumir uma secretaria municipal.
Contudo, assim como ocorreu em 2020, a vitória de Alberto Neto não aconteceu em 2022 e o plano B de Caio André foi invalidado pelos 576.171 mil eleitores (54,59% dos votos válidos) que escolheram a continuidade da gestão de David Almeida (Avante) por mais quatro anos à frente da Prefeitura de Manaus.

Capitão Alberto Neto (à esquerda) ao lado de Caio André no 2º turno das eleições municipais de 2024 em Manaus (Foto: Divulgação/Assessoria do vereador Caio André)
Em suas redes sociais, o político parabenizou o prefeito reeleito: “Manaus escolheu democraticamente reeleger o prefeito David Almeida. Parabéns pela vitória! Que este seja um momento de reafirmar as propostas de melhoria para todos os manauaras. Vamos em frente, acreditando em um futuro melhor!”.
Agora, resta a Caio aproveitar [e muito bem] o término do seu mandato como vereador até o dia 31 de dezembro de 2024. Nem da próxima eleição da mesa diretora, no dia 1º de janeiro de 2025, ele participará, pois quem conduzirá a eleição será a atual vice-presidente, vereadora Yomara Lins (Podemos), que, diferente de Caio, conseguiu se reeleger.
Mas nem tudo está perdido para Caio André. Um plano C já está em andamento: ser reconduzido ao cargo de secretário no governo de Wilson Lima (UB). Antes de virar vereador, Caio foi secretário de esportes no primeiro mandato de Wilson Lima. A passagem dela pela secretaria lhe rendeu bons frutos e possibilitou ser eleito para o primeiro mandato.
Talvez, o destino de Caio André seja ser secretário, pois como vereador não agradou muitos eleitores e nem o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), que classificou a transparência do primeiro ano da gestão de Caio na presidência como “inexistente”.
Curioso é que, como oposição, Caio André pressionou o atual prefeito em busca de transparência dos gastos, mas não deu bom exemplo ao MPC-AM, como aponta o relatório do Ranking da Transparência das Câmaras Municipais. Para se ter uma ideia da mudança radical na Casa, em 2022, o ranking do Radar da Transparência Pública classificou a CMM como 73,82%.
Algumas polêmicas da gestão
A gestão de Caio André à frente da presidência da CMM também foi marcada por polêmicas envolvendo possíveis licitações suspeitas, supostos funcionários fantasmas e a destinação de emendas a empresas fantasmas.
Em dezembro de 2023, primeiro ano de Caio na presidência, um processo licitatório para manutenção de ares-condicionados da CMM foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Havia suspeitas de favorecimento à empresa escolhida para o serviço. Os sócios teriam ligação de parentesco com um servidor da CMM, que ocupava o cargo de gerente do Departamento de Manutenção Predial; e tudo acontecia diante dos olhos da atual gestão.
No mesmo ano, a população assistiu à polêmica envolvendo um contrato de R$ 1 milhão assinado por Caio André com uma churrascaria. Além de denúncias de agressão, o dono do empreendimento teve o nome envolvido em investigações acerca de exploração infantil.
No balanço de um ano de gestão, também teve o registro de uma emenda parlamentar de Caio no valor de R$ 563 mil para um instituto. O dinheiro tinha como objetivo financiar ações sociais a pessoas em situação de rua.
Porém, no local onde o instituto deveria funcionar, na avenida São Jorge, bairro de mesmo nome, zona Oeste de Manaus; constava uma assistência técnica de celular, que operava as atividades no lugar há pelo menos quatro anos.
Por fim, fechando o resumo de algumas polêmicas, está a nomeação de uma funcionária para cargo comissionado de assessor institucional DCA-20.
A contratação foi assinada por Caio André e a contratada, que é primeira-dama em um município na Região Metropolitana de Manaus, chegou a receber mais de R$ 270 mil.
As denúncias de que a mulher seria uma funcionária fantasma ganharam repercussão na imprensa, o que levou Caio André a assinar a exoneração da servidora.
Confira abaixo os documentos de nomeação e exoneração da servidora:


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