(Foto: Cleuton Silva e Éder França/CMM, Arthur Castro/Secom, Ricardo Machado/Secretaria-Geral da Vice-Governadoria, Danilo Mello/Aleam)
Manaus (AM) – O calendário eleitoral de 2026, aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já começou a produzir efeitos concretos no cenário político amazonense, com renúncias, exonerações e movimentações partidárias que escancaram o início antecipado da disputa pelo poder.
O marco mais sensível neste momento foi o prazo de 4 de abril, data-limite para a chamada desincompatibilização de ocupantes de cargos eletivos que pretendem disputar outro posto nas eleições de outubro.
Pela legislação, prefeitos, governadores e o presidente da República que desejem concorrer a cargo diverso precisam deixar o mandato até seis meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Em Manaus, a regra teve impacto direto e imediato. O então prefeito David Almeida (Avante) precisou renunciar ao comando da Prefeitura para viabilizar sua candidatura ao Governo do Amazonas. A saída não foi apenas um ato burocrático: foi o primeiro movimento oficial da corrida eleitoral do Avante e abriu espaço para a posse do vice, Renato Júnior, que assumiu a administração municipal em meio a uma série de exonerações e novas nomeações.
A mudança no comando da capital evidencia como a legislação eleitoral, embora necessária para preservar a isonomia da disputa, também provoca rupturas administrativas relevantes. Em ano eleitoral, a máquina pública passa a operar sob lógica política ainda mais intensa, e a troca de gestores em pleno exercício do mandato inevitavelmente gera impactos na continuidade das políticas públicas e na governabilidade.
Enquanto no Executivo estadual, nas últimas horas do prazo de desincompatibilização deste sábado (4), Wilson Lima (UB) e Tadeu de Souza (PP) renunciaram aos cargos de governador e vice-governador. Com isso, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade (UB), assumiu o governo do estado.
Mais uma vez, Wilson Lima se torna peça central nas articulações políticas do Amazonas. Ao deixar o governo, diferentemente do que havia anunciado, de que permaneceria no cargo até o fim do mandato, ele reconfigura o cenário eleitoral.
Wilson deve surgir como uma das opções na disputa pelo Senado. A saída também impacta a corrida para a Câmara dos Deputados, já que Tadeu de Souza deve se lançar como pré-candidato. Além disso, a sucessão no governo estadual entra em novo desenho.
Com a posse e o controle da máquina pública, Roberto Cidade, atual vice-governador, tende a se colocar como pré-candidato ao governo do Amazonas, em busca da reeleição.
As cartas de renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza, ambas escritas à mão, foram publicadas no Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Troca troca
Outro ponto crucial do calendário foi o encerramento da janela partidária, que ocorreu entre 5 de março e 3 de abril.
Nesse período, deputados federais e estaduais puderam trocar de partido sem risco de perda do mandato.
A janela é, tradicionalmente, um dos momentos mais intensos da engenharia política brasileira. Mais do que uma formalidade legal, ela funciona como termômetro das alianças e dos projetos eleitorais. Mudanças de sigla, muitas vezes, dizem menos sobre identidade programática e mais sobre conveniência eleitoral, tempo de TV, fundo partidário e composição de palanques.
Foi o caso, por exemplo, dos Deputados Alessandra Campelo, Felipe Souza, Wilker Barreto; do deputado federal Amom Mandel e do vereador Rodrigo Guedes, por exemplo.
No Amazonas, o prazo também pressionou secretários estaduais e municipais interessados em disputar vagas na Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Senado.
Diversos auxiliares de primeiro escalão deixaram seus cargos nas últimas semanas para atender aos prazos legais de afastamento, que variam conforme a função exercida.
Entre eles estão: Joana Darc, Marcus Vinícius, Jesus Alves, Marcellus Campelo, Marcos Rotta, Jender Lobato.
Esse movimento, embora previsto na legislação, reforça uma crítica recorrente ao sistema político: secretarias e postos estratégicos passam a ser usados como trampolim eleitoral, transformando a gestão pública em plataforma de projeção política.
Prazo para o eleitor
O TSE também estabeleceu que até 4 de abril candidatos deveriam estar com domicílio eleitoral e filiação partidária regularizados na circunscrição em que pretendem concorrer.
A partir desta semana, o jogo entra em fase mais definida. Quem está dentro do prazo consolida projeto; quem perdeu a data fica fora da disputa.
O calendário eleitoral funciona como gatilho institucional para reorganizar o poder — e, no Amazonas, isso já começou a redesenhar alianças, romper grupos e antecipar a temperatura de uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos.
(*) Colaborou: Emília Picanço
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