Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Campanha política no interior do Amazonas é mais fervorosa do que em Manaus?

Durante as campanhas políticas nos municípios, multidões participam de carreatas, demonstrando apoio fervoroso aos candidatos.

Ao lado do governador Wilson Lima, Brena Dianná reuniu uma multidão no lançamento da pré-campanha - (Foto: Divulgação/Ascom)

Manaus (AM) – Multidões em caminhadas e carreatas cantando a música do candidato de coração, segurando bandeiras com a determinação de soldados indo para a guerra. Esse é um cenário comum durante campanhas políticas nos municípios do Amazonas, dando a impressão de que as disputas eleitorais no interior são mais fervorosas do que na capital.

A empolgação, inclusive, já começa durante a pré-campanha, como pode ser visto no lançamento das pré-candidaturas em municípios como Parintins, onde a vereadora Brena Dianná, candidata do União Brasil e apoiada pelo governador Wilson Lima, arrastou uma multidão para o evento.

O principal adversário dela na disputa, o vereador Mateus Assayag (PSD), também reuniu um expressivo número de pessoas durante o lançamento de sua pré-candidatura. O parlamentar é apoiado pelo atual prefeito Bi Garcia (PSD), que não pode disputar a reeleição, já que está em seu segundo mandato.

Situação semelhante ocorreu em Itacoatiara. O lançamento da pré-candidatura à reeleição do prefeito Mário Abrahim (Republicanos) foi marcado pela presença de uma multidão no campo do Fast no município.

Segundo o sociólogo Luiz Carlos Marques, esse comportamento pode ser atribuído a vários fatores. Primeiramente, a proximidade entre eleitores e candidatos no interior é significativamente maior.

 

Lançamento da pré-candidatura de Mateus Assayag (PSD) – (Foto: Divulgação/Ascom)

“Em pequenas cidades e comunidades, os candidatos, muitas vezes, são figuras conhecidas e próximas da população, seja por laços familiares, amizade ou pelo simples fato de serem moradores locais. Essa proximidade facilita o engajamento direto e pessoal, levando os eleitores a se sentirem mais compelidos a apoiar ativamente seus candidatos”, explica.

Além disso, a disputa política no interior tende a ser mais acirrada devido à menor quantidade de eleitores. Em comunidades menores, cada voto tem um peso maior, tornando cada eleitor uma peça-chave na definição dos resultados. Essa realidade intensifica a competição entre candidatos, que buscam, a todo custo, garantir o apoio de cada cidadão.

Outro ponto destacado pelo sociólogo é a carência de serviços e infraestrutura no interior, que faz com que as promessas de campanha tenham um impacto direto e mais significativo na vida dos eleitores. A população, muitas vezes, vê uma oportunidade crucial nas eleições a fim de melhorar suas condições de vida, aumentando a mobilização e o engajamento durante o período eleitoral.

“O comportamento do eleitor no interior também é influenciado por uma cultura política mais comunitária e participativa. As decisões políticas tendem a ser discutidas de forma coletiva, com grande envolvimento da comunidade – o que cria um ambiente mais polarizado e apaixonado durante as campanhas”, pontua.

Multidão reunida no lançamento da pré-campanha de Brena Dianná – (Foto: Divulgação/Ascom)

Aproximação com o eleitor

Vanilson Holanda, que já foi coordenador de campanha política para prefeito em Manaquiri, explica que a estratégia mais eficaz na campanha eleitoral no interior é a das visitas, o chamado corpo a corpo. Seja nas comunidades rurais ou na zona urbana, o povo se sente mais à vontade para expressar seu apoio ao candidato desejado.

“A empolgação é enorme. As pessoas abraçam realmente a campanha de seu candidato, chegando de barco, canoa com motor-rabeta, lanchas ou até mesmo remando, com esperança de dias melhores para o município. A empolgação nas caminhadas é contagiante, com muitos fogos de artifício e muita alegria, criando uma atmosfera inesquecível”, conta Vanilson.

O que muda é a estrutura do processo

Para o cientista político Helso Ribeiro, o cenário eleitoral na capital e no interior do Amazonas é similar em termos de vigor e força. No entanto, segundo ele, a diferença reside na estrutura do processo eleitoral.

“No Brasil, para as eleições de prefeito e vice-prefeito, caso a cidade tenha mais de 200 mil eleitores e nenhum candidato obtenha 50% mais um dos votos, haverá um segundo turno. Por exemplo, em Manaus, que atualmente possui nove pré-candidatos, as pesquisas e a tradição indicam que haverá um segundo turno. O primeiro turno será no dia 6 de outubro e o segundo turno, se não me falha a memória, no dia 27, no último domingo de outubro”, explica.

De acordo com Ribeiro, no Amazonas, apenas Manaus possui mais de 200 mil eleitores. Nenhum outro município atinge essa quantidade; os maiores têm entre 101 mil e 105 mil eleitores, não alcançando o número necessário para um segundo turno. Ele explica que, nos municípios do interior, a eleição é decidida em um único turno.

“Se houver cinco candidatos e um tiver apenas um voto a mais que os outros, ele é o eleito. Isso torna o processo mais acirrado, pois não há a perspectiva de um segundo turno, é uma única oportunidade”, pontua.

Compra de votos

Outra questão que acontece bastante durante as campanhas políticas, principalmente no interior, é a tentativa de compra de votos dos eleitores. Os candidatos tentam driblar a polícia para oferecer algum valor aos eleitores em troca do voto, geralmente, na noite anterior ao pleito.

Na eleição de 2020, o prefeito de Tonantins, que buscava a reeleição, Lázaro de Souza Martins (PP), conhecido como “Curica”, foi preso em flagrante na própria casa com dinheiro em espécie. A suspeita é que o dinheiro seria usado para comprar votos.

Dinheiro apreendido durante a eleição de 2020 – (Foto: Divulgação/Polícia)

Também em 2020, um homem foi detido portando R$ 104,3 mil em Atalaia do Norte. A suspeita era que o dinheiro também seria usado na compra de votos.

Em Tefé, na madrugada do dia da eleição, 15 de novembro, santinhos de candidatos, dinheiro em espécie e até uma caixa com garrafas de cachaça foram apreendidos pelas polícias Federal e Civil em uma ocorrência, em flagrante, de compra de votos.

Já neste ano, no mês de maio, durante o período de pré-campanha, um vídeo flagrou integrantes da campanha de Nildo Colares (Mobiliza), que disputará a Prefeitura de Borba, e de seu vice, Cláudio do Zezão (MDB), apoiados pelo atual prefeito Simão Peixoto, jogando dinheiro para a população.

No vídeo, que circula nas redes sociais, é possível ver membros da organização em cima de uma picape jogando notas de R$ 50 para as pessoas que acompanhavam o evento de lançamento da pré-candidatura de Nildo.

Eleição

Neste ano, mais de 2,6 milhões de amazonenses vão às urnas escolher seus representantes nas eleições municipais, que elegem prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. A data do primeiro turno, definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será no primeiro domingo de outubro, dia 6. Já o segundo turno, acontece no último domingo do mês, que será dia 27.

 

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