Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

‘Caso Djidja’ expõe falhas na fiscalização de venda de medicação controlada

Conforme o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas (CRMV-AM), a ketamina é um medicamento anestésico de uso veterinário e humano que precisa ser administrado a partir de uma análise profissional. 

Caso Djidja Cardoso: membros de seita forneciam e incentivavam o uso de ketamina

Djidja, a mãe e o irmão (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Manaus (AM) – O uso ilegal de ketamina, anestésico de uso humano e veterinário, está novamente no centro dos debates após a morte da ex-sinhazinha do Garantido, Djidja Cardoso, de 32 anos, no último dia 28 de maio em Manaus. O caso, que ganhou repercussão nacional, expõe a ausência de rigor na fiscalização de venda de medicamentos controlados sem receituário.

Djidja Cardoso, que também era empresária, foi encontrada morta dentro da sua residência. A Polícia Civil do Amazonas investiga as circunstâncias da morte; porém, um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) revelou que a morte da ex-sinhazinha foi causada por um edema cerebral que afetou o funcionamento do coração e da respiração. No entanto, o documento não aponta o que teria levado Djidja ao quadro. Há a suspeita de overdose por ketamina.

Conforme o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas (CRMV-AM), a ketamina é um medicamento anestésico de uso veterinário e humano que precisa ser administrado a partir de uma análise profissional.

Segundo a entidade, a venda do fármaco depende de receituário, já que existem riscos graves à saúde pelo uso indiscriminado. E a fiscalização específica sobre remédios de uso veterinário é feita pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O conselho esclareceu, ainda, ao Portal AM1 que tem responsabilidade apenas sobre a conduta de médicos veterinários.

A ketamina, que se tornou droga ilícita na década de 1980, tem crescido como droga popular para uso recreativo, principalmente, por seus efeitos alucinógenos, por causar sensação de bem-estar e pelo seu potencial sedativo.

Uma operação policial, deflagrada no dia 30 de maio, resultou nas prisões de Ademar Cardoso, irmão de Djidja, e Cleusimar Cardoso, mãe da ex-sinhazinha. Além de serem proprietários de uma rede de salões de beleza em Manaus, a família é apontada pela polícia como fundadora de uma seita religiosa chamada “Pai, Mãe, Vida”, que incentivava e promovia o uso da droga de forma recreativa.

Já as investigações sobre a morte de Djidja são conduzidas em outro inquérito pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

A família tinha acesso à droga por meio de uma clínica veterinária da capital. A investigação em torno da morte de Djidja também envolve a clínica veterinária Maxvet, localizada no bairro Redenção, zona Oeste de Manaus. O estabelecimento é suspeito de fornecer Ketamina à família e funcionários dos salões de beleza da ex-sinhazinha.

O CRMV também destacou a Lei de Drogas e a Portaria 344/98 do Ministério da Saúde, que regulamentam a comercialização de medicamentos controlados e estabelecem que é infração sanitária qualquer conduta contrária a essas diretrizes.

“Para que qualquer estabelecimento possa vender medicamentos controlados de uso veterinário, é preciso fazer um registro junto ao Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), que exige, entre outras obrigações, a assinatura de um Responsável Técnico (RT). O médico veterinário RT, com registro no CRMV/AM, tem a função de orientar funcionários e garantir que os serviços prestados e produtos vendidos sejam oferecidos em conformidade aos requisitos técnicos. O profissional deve também comunicar aos órgãos e entidades competentes das esferas municipal, estadual, distrital ou federal, possíveis irregularidades em todas as atividades que coloquem em risco a saúde humana, animal ou ambiental”, explicou a instituição em nota.

Conduta profissional

O Conselho Regional de Medicina Veterinária informou, ainda, que está “atento aos últimos acontecimentos envolvendo a venda irregular de Cetamina (Ketamina)” e a morte de Djidja Cardoso.

A respeito da conduta de profissionais, o CRMV ressaltou que o Código de Ética da profissão proíbe médicos veterinários de “prescrever ou executar qualquer ato que tenha a finalidade de favorecer transações desonestas ou fraudulentas, além de praticar atos que a lei defina como crime ou contravenção e ainda manter conduta incompatível com a medicina veterinária”.

Desse modo, se comprovado ato contra o código, as “penalidades vão desde advertência à cassação do exercício profissional”.

“A função do CRMV/AM é a de fiscalizar a atividade profissional de médicos veterinários e zootecnistas. Dessa maneira, o CRMV/AM, dentre outras ações, busca colaborar com os demais órgãos competentes nas atividades irregulares que envolvam os profissionais registrados e, nesse momento, se mobiliza para ajudar nas investigações”, comunicou.

A entidade também esclareceu que “repudia” qualquer ato que coloque em risco a saúde humana e animal.

 

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