(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Os registros de crimes relacionados ao racismo apresentaram crescimento significativo no Amazonas em 2024, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
O estado acompanhou a tendência nacional de aumento das denúncias, especialmente nos casos de injúria racial.
Em 2023, o Amazonas contabilizou 114 registros de injúria racial, número que saltou para 185 em 2024. O crescimento foi de 60,7% em apenas um ano.
A taxa por 100 mil habitantes também subiu, passando de 2,7 para 4,3, indicando que o aumento não se deve apenas ao crescimento populacional, mas a uma maior incidência, ou maior registro, desse tipo de crime
Os casos de racismo, que englobam práticas discriminatórias mais amplas previstas na legislação, também apresentaram alta.
O total de registros passou de 73 em 2023 para 89 em 2024, o que representa uma elevação de 20,8%. A taxa subiu de 1,7 para 2,1 ocorrências por 100 mil habitantes
Já no recorte específico de racismo por homofobia ou transfobia, o Anuário não apresenta dados consolidados para o Amazonas, o que indica ausência de informações reportadas ou inconsistência nos registros estaduais para esse tipo de crime em 2024
Comparação com o cenário nacional
Em nível nacional, o Brasil registrou 18.200 casos de injúria racial em 2024, um aumento de 41,4% em relação a 2023. O crescimento no Amazonas foi ainda mais acentuado, superando a média nacional. O mesmo ocorre nos crimes de racismo, que cresceram 26,3% no país, percentual superior ao observado no estado amazonense, mas ainda assim preocupante.
Amazonas em comparação com os outros estados do Norte
Entre os estados da Região Norte, o Amazonas se destaca pelo alto crescimento percentual nos registros de injúria racial em 2024. O estado saiu de 114 para 185 casos, um aumento de 60,7%, um dos maiores da região em termos proporcionais
Na comparação regional:
- Rondônia registrou 330 casos de injúria racial em 2024, contra 261 no ano anterior, crescimento de 26%, mas ainda com números absolutos superiores aos do Amazonas.
- Pará, o estado mais populoso da região, teve aumento mais moderado: de 484 para 551 registros, alta de 13,2%.
- Acre e Amapá apresentaram queda nos casos. O Acre passou de 66 para 57 registros (-14%), enquanto o Amapá caiu de 40 para 36 (-10,4%).
- Roraima, apesar de ter números absolutos baixos, registrou aumento proporcional expressivo, de 11 para 19 casos, crescimento de 67,5%, percentual ligeiramente superior ao do Amazonas, mas sobre uma base muito menor
- Tocantins apresentou o crescimento proporcional mais elevado da região, saltando de 20 para 84 casos, alta de 317,3%, embora também parta de um patamar reduzido.
No recorte dos crimes de racismo, o Amazonas (89 registros em 2024) aparece em posição intermediária no Norte. Estados como Rondônia (63 casos) e Roraima (8 casos) tiveram redução, enquanto o Pará manteve números baixos e estáveis. Em termos de taxa por 100 mil habitantes, o Amazonas permanece acima de alguns vizinhos, mas abaixo de estados como Rondônia
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