(Foto: Vanessa Rocha/Assessoria)
Manaus (AM) – O vereador Elan Alencar (DC) se pronunciou ao Portal AM1, nesta terça-feira (14), para se defender da decisão judicial que determinou a cassação do seu mandato. Em tom de desabafo, o parlamentar afirmou ser vítima de uma injustiça e atribuiu a responsabilidade do caso ao partido pelo qual foi eleito, que teria falhado no cumprimento da cota de gênero exigida pela legislação eleitoral.
“Eu não cometi nenhuma fraude, nenhum erro. Fui candidato, registrei a candidatura com todas as minhas certidões negativas, prestei contas da campanha e fui o mais votado do partido”, disse o vereador em vídeo.
A decisão foi tomada pelo juiz eleitoral Rafael Almeida, que entendeu haver irregularidades na formação da chapa partidária nas eleições de 2024. Segundo a sentença, o partido teria descumprido a regra que obriga mínimo de 30% de candidaturas femininas, o que configura fraude à cota de gênero prática já punida em diversos estados.
Elan, porém, se apresenta como vítima de um erro alheio. Em sua fala, o vereador repete que não participou da montagem da chapa e que “não tinha conhecimento” de qualquer irregularidade.
“Sou extremamente a favor da cota de gênero, mas não cabe a mim responder pelo que o partido fez”, afirmou.
Mesmo com a decisão desfavorável, o parlamentar tenta manter o mandato e o discurso de legitimidade, lembrando que recebeu 8.611 votos e foi “o mais votado” da legenda. O argumento é conhecido: o voto popular como escudo contra decisões da Justiça Eleitoral.
“Querem caçar o mandato de alguém que teve 8.611 votos e é ficha limpa”, lamentou.
Elan também garantiu que vai recorrer e que não se considera inelegível. “Nosso jurídico está cuidando disso. Confio na Justiça”, disse, já sinalizando que pretende disputar uma vaga de deputado estadual nas próximas eleições.
A fala, que mistura autoindignação e cálculo político, segue um roteiro familiar no cenário político brasileiro: transformar o veredito judicial em narrativa de perseguição. No meio do discurso, a cota de gênero, criada para corrigir desigualdades históricas na política, acaba reduzida a detalhe burocrático ou, como o próprio vereador dá a entender, a uma armadilha partidária que o teria “pego de surpresa”.
Enquanto o processo segue na Justiça, Elan Alencar continua no cargo e nas redes, apostando na estratégia de se apresentar como o injustiçado da vez, um personagem cada vez mais recorrente no enredo político do país.
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