Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Cinema amazonense segue sem apoio político, aponta cineasta

No Dia do Cinema Brasileiro, artista critica ausência de políticas e apoio da Câmara Municipal.

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(Foto: Divulgação/Banco de Imagens/Depositphotos)

Manaus (AM) – Em entrevista ao Portal AM1, o cineasta amazonense Z Leão chamou atenção para o descaso da classe política com o audiovisual produzido no estado. A fala do artista vem no contexto do Dia do Cinema Brasileiro, comemorado na quinta-feira (19), data que celebra a sétima arte no país, mas que também evidencia a ausência de políticas públicas consistentes em Manaus.

“Não há uma ligação cultural entre os políticos com o cinema amazonense. Nenhum deles é oriundo genuinamente da área audiovisual, e isso torna bem artificial o interesse em defender a área”, pontua Leão.

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Cineasta amazonense, Z Leão (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo ele, não existe hoje uma política pública municipal efetiva voltada para o fomento ao audiovisual. Z Leão destaca que, desde a implantação da Lei Paulo Gustavo, em 2023, e com a previsão da execução da Lei Aldir Blanc 2, os recursos federais passaram a ser os únicos investimentos reais no setor sem contrapartida efetiva da prefeitura.

“O governo municipal deixou de investir com recursos próprios, como vinha fazendo timidamente em anos anteriores”, afirmou.

Leão também aponta falhas na execução do Fundo Municipal de Cultura, criado para destinar 2% da arrecadação do ISS municipal para a cultura. Na prática, explica o cineasta, o sistema é quase inviável para os artistas locais.

“Os artistas precisam submeter projetos ao Concultura, que aprova as propostas. A partir daí, é o artista quem deve ir atrás das empresas que recolhem ISS para conseguir viabilizar o repasse. Mas essas empresas raramente aceitam financiar os projetos culturais, por desconfiança ou por não verem valor direto nesse investimento”, relata.

Segundo ele, a alternativa sugerida pela classe artística seria que a própria prefeitura já destinasse os 2% do ISS diretamente à conta do Concultura, órgão responsável por gerir a política cultural, para depois repassar aos artistas conforme os projetos aprovados.

“Isso nunca acontece. O dinheiro nunca chega na mão do Concultura. Fica à mercê do setor privado. E, no fim do ano, esse recurso simplesmente não é usado”, completa.

Lei Aldir Blanc também sofre com falta de contrapartida

Outro ponto levantado por Z Leão é a falta de compromisso da prefeitura com a contrapartida prevista na Lei Aldir Blanc. Segundo a legislação federal, o município deve investir 30% do valor recebido do governo federal com recursos próprios, como forma de complementar o investimento na cultura local.

“Historicamente, desde 2023, isso não acontece. Apenas o governo federal tem comparecido com verbas para investir na cultura manauara. A prefeitura simplesmente ignora a responsabilidade que lhe cabe”, afirmou.

Câmara Municipal ausente

Sobre o papel dos vereadores na valorização do cinema local, Leão é bem direto ao afirmar que “não há participação nem vontade política por parte da Câmara Municipal.

Segundo ele, não há diálogo com os profissionais do setor, nem envolvimento nos debates sobre leis ou orçamento da cultura.

“Sempre somos nós por nós mesmos. Nunca houve um envolvimento sério da política com a cultura. Eles se limitam à prática de eventos e abandonam o tripé da formação, produção e exibição do cinema”, diz o cineasta.

Para mudar esse cenário, ele defende que a classe política municipal assuma um compromisso real com o fortalecimento do setor, com investimento direto e gestão transparente.

“É preciso um esforço dos vereadores para garantir que o Fundo de Cultura funcione de fato, e que os 2% do ISS sejam repassados sem depender da boa vontade das empresas. Só assim todos os fazedores de cultura poderão usufruir desses recursos de forma democrática”, conclui.

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