Foto: Reprodução Facebook
Um jornalista italiano entra numa crise existencial que o sopra para o além-mar, até terras brasileiras, onde ele embarca numa expedição pela Amazônia. Ele se envolve com uma jovem enigmática e tem como companhia um estudante de antropologia -pronto, o triângulo amoroso está formado. A premissa faz parte do repertório do mestre italiano Michelangelo Antonioni, mas não entrou para a sua filmografia.
Mesmo considerado pelo cineasta, quando em vida, um de seus mais queridos roteiros, ele nunca saiu do papel. A umidade da floresta que atacava os equipamentos e outras dificuldades de gravar dentro da mata o forçaram a abandonar o projeto, que agora, meio século depois, vai poder finalmente chegar às telas e pelas mãos de um brasileiro, o cineasta André Ristum.
“Tecnicamente Doce” deve começar a ser gravado em 2023, na região amazônica, Roma e na ilha de Sardenha. Os direitos do roteiro foram comprados há pouco pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane, da Gullane Entretenimento, que dividem a produção com André Novis e a italiana Similar Film. Uma viagem de pesquisa e buscas por um elenco está prevista para o segundo semestre deste ano.
Antonioni carregou consigo uma tentativa frustrada de produzir sua obra, porém, as adversidades de locais e problemas com os equipamentos que não eram adequados para o ambiente úmido da selva amazônica, o fizeram recuar. Em nota, sua esposa afirma “oi um sofrimento para ele [Antonioni] ter de abandonar a produção”.
É um projeto ambicioso, sem dúvida. Descrito como uma “poética e catastrófica aventura ítalo-brasileira”, o drama vai precisar passar por uma modernização, embora André avalie que a atualidade da história é assombrosa.
“Tecnicamente Doce” se baseia na relação do homem com a natureza e fala muito sobre a polarização na qual o Brasil, e também boa parte do mundo, mergulhou nos últimos anos. Ao abrir espaço para a fantasia, a Amazônia da trama permite que os personagens se vejam em situações que evocam temas como a banalização da violência e a preservação do meio ambiente. Uma história permeada por uma certa desilusão com o ser humano, o que vai ao encontro de sua própria percepção sobre os rumos da nossa sociedade.
“Acho que vai ser muito interessante assistir a esse filme e perceber como a cabeça do Antonioni estava à frente de seu tempo, por causa das questões das quais o roteiro trata, e ver também que muitas coisas não mudaram.” descreveu o diretor.
*Com Informações do FOLHAPRESS





