Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Com apoio de Bolsonaro, Maria do Carmo encara desafio no interior do AM

A dificuldade se deve ao desempenho limitado do Partido Liberal nas eleições municipais de 2024, quando elegeu apenas dois prefeitos no interior.

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(Foto: Divulgação/PL Nacional)

Manaus (AM) – Mesmo com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), enfrenta o desafio de ampliar sua influência no interior do estado. A dificuldade se deve ao desempenho limitado do Partido Liberal nas eleições municipais de 2024, quando elegeu apenas dois prefeitos no interior.

O PL conquistou as prefeituras de Lábrea, com Gerlando Lopes, e de Presidente Figueiredo, com Fernando Vieira. Ambas as cidades, no entanto, não figuram entre os dez maiores colégios eleitorais do interior do Amazonas, dominados por partidos como Republicanos, MDB, PSD e União Brasil, presididos estadualmente por fortes figuras políticas: Silas Câmara, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, respectivamente.

Nos principais colégios eleitorais do interior estado, apenas Maués escapou do domínio desses partidos. Lá, o PDT venceu com Macelly Veras. Confira os prefeitos eleitos nas dez maiores cidades do interior do estado:

  • Manacapuru – Valcileia Maciel (MDB) (44.125 votos)
  • Itacoatiara – Mário Abrahim (Republicanos) (31.040 votos)
  • Parintins – Mateus Assayag (PSD) (28.235 votos)
  • Coari – Adail Pinheiro (Republicanos) (19.889 votos)
  • Tefé – Nicson Marreira (União Brasil) (34.260 votos)
  • Iranduba – Augusto Ferraz (União Brasil) (18.117 votos)
  • Tabatinga – Plinio Cruz (Republicanos) (14.963 votos)
  • Maués – Macelly Veras (PDT) (16.300 votos)
  • Manicoré – Lúcio Flávio (PSD) (18.488 votos)
  • Humaitá – Dedei Lobo (União Brasil) (9.932 votos)

Na composição de vice-prefeitos, o PL também teve desempenho modesto. O partido elegeu apenas três: James França (Envira), Rute Monteiro (Ipixuna) e Paulo da Gasolina (Pauini), entre os 62 municípios amazonenses. Embora, a situação possa se alternar no período da janela partidária.

Apesar das limitações do PL no interior, Maria do Carmo se encontra em situação partidária mais favorável do que quando integrava o partido Novo, legenda que, na última eleição municipal, em Manaus, não conseguiu eleger prefeitos ou vices e obteve apenas quatro cadeiras de vereador.

A empresária e reitora da Fametro oficializou sua filiação ao PL em abril e, desde então, lançou sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas para 2026. Ela já recebeu apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro, presidente de honra da legenda.

Mesmo com o aval de Bolsonaro, Maria do Carmo pode enfrentar dificuldades para consolidar sua pré-candidatura no interior. Nas eleições gerais de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu em 58 dos 62 municípios amazonenses, com 51,1% dos votos válidos no estado.

A lista inclui os dez maiores colégios eleitorais do interior do Amazonas: Manacapuru, Itacoatiara, Parintins, Coari, Tefé, Iranduba, Tabatinga, Maués, Manicoré e Humaitá, regiões onde Lula superou Bolsonaro.

Nesse cenário, o cientista político Breno Rodrigo de Messias Leite, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destaca a logística como um dos principais desafios para novas forças políticas alcançarem o interior do estado. Ele também ressalta que a maioria do eleitorado está concentrada em Manaus, o que torna ainda mais difícil a penetração em outras regiões.

“O grande desafio de Maria do Carmo, ou de qualquer outro nome que tente se apresentar como alternativa ao PT ou às forças políticas lideradas por Omar Aziz e Eduardo Braga, será justamente penetrar nessas bases eleitorais já consolidadas. É uma tarefa extremamente difícil”, afirmou o cientista político.

Em Manaus, no entanto, Maria do Carmo encontra terreno mais fértil. Na capital, Bolsonaro venceu com ampla vantagem, alcançando 61,28% dos votos, o que pode garantir maior visibilidade à sua pré-candidatura.

Breno Leite avalia que, embora o bolsonarismo tenha maior força nas áreas urbanas do Norte e Nordeste, Maria do Carmo realizou investimentos em municípios do interior, o que pode favorecer sua campanha.

“A Maria do Carmo, embora venha aliada às forças do Bolsonaro e do PL, tem muitos investimentos no interior. Pelo menos nas grandes cidades do interior, Parintins, se não me engano, e também Maués, ela tem investimentos. Então, de algum modo, pode ter algum tipo de inserção nessas grandes cidades interioranas, onde há uma certa concentração eleitoral. Mas vai ser um trabalho difícil”, explica o cientista político.

Entretanto, embora Maria do Carmo tenha alguns investimentos no interior do estado, como apontado pelo cientista político, sua pré-candidatura dependerá também de um esforço significativo na capital. O desafio será não apenas “furar a bolha” construída pelos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga no interior, mas também se consolidar em Manaus.

“E não é um trabalho apenas no interior, né? É um trabalho que ela vai precisar fazer também na capital, haja vista que ela é um nome novo. Ela não é uma liderança política tradicional, nunca exerceu um mandato público. Então, precisa fazer um trabalho de base também aqui em Manaus, se quiser se viabilizar, né?”, explica o cientista político.

Outro ponto levantado pelo analista político é a possibilidade de, diante de um cenário adverso, a cúpula nacional do PL redirecionar esforços para fortalecer candidaturas ao Congresso Nacional, deixando Maria do Carmo com menos apoio na disputa majoritária.

“A grande preocupação do Bolsonaro, hoje, seria ter, sobretudo, senadores. Por que isso? Porque haverá uma renovação de dois terços do Senado. Ou seja, nós vamos ter eleição agora, neste ano, para dois senadores. Na eleição passada, nós tivemos para um senador, e agora teremos para dois senadores. Então, certamente, o Bolsonaro e as lideranças bolsonaristas querem investir muito nesses nomes para o Senado. E, nesse sentido, o nome do Capitão Alberto Neto é um nome que praticamente está assegurado. Ele vai disputar a renovação para o Senado pelo PL e pelo bolsonarismo”, concluiu o cientista político.

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