Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Com apoio de redes públicas e sociais, Manaus reduz vulnerabilidade de mães e crianças migrantes

A migração venezuelana tem transformado o perfil populacional de estados da região Norte, especialmente Roraima e Amazonas.

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(Foto: ReyesPhoto/DepositPhotos)

Manaus (AM) – Os venezuelanos ultrapassaram os portugueses e se tornaram o maior grupo de estrangeiros residentes no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (27), o país registrou 271,5 mil venezuelanos vivendo em seu território naquele ano.

A migração venezuelana tem transformado o perfil populacional de estados da região Norte, especialmente Roraima e Amazonas. Em Roraima, os estrangeiros representavam cerca de 12% da população em 2022, um salto expressivo em comparação a 2010, quando essa participação era inferior a 1%. O estado foi a principal porta de entrada para migrantes da Venezuela.

No Amazonas, o impacto também é significativo. Estimativas da Plataforma R4V, coordenada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), apontam que quase 40 mil venezuelanos vivem no estado.

Em Manaus, capital amazonense, cerca de 15 mil estão registrados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), conforme dados do Painel de Informações Sociais para Refugiados e Migrantes Venezuelanos.

A realidade da migração, no entanto, também escancara vulnerabilidades. Em Roraima, a maioria dos casos de trabalho infantil identificados em 2022 envolvia crianças e adolescentes venezuelanos. Das 71 vítimas resgatadas naquele ano, 51 eram migrantes, ou seja, 71% do total. Os dados são da Auditoria Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho.

Visando compreender melhor o perfil socioeconômico dessa população em Manaus, a Acnur realizou uma pesquisa em outubro de 2021. Foram feitas 419 entrevistas presenciais, que, somadas aos dados indiretos sobre familiares, abrangeram um total de 1.506 pessoas. A coleta de dados utilizou uma combinação de amostragem aleatória e a técnica conhecida como ‘bola de neve’

O levantamento revelou que as famílias de refugiados e migrantes venezuelanos em Manaus têm, em média, 3,6 membros. A estrutura familiar é predominantemente monoparental: 38,2% dos lares têm apenas um dos pais, e em 94,4% desses casos, a chefia é feminina. Ou seja, mais de um terço das famílias são lideradas por mães solo.

Apesar dos desafios, há avanços. Segundo Túlio Duarte, diretor-presidente e cofundador da Organização da Sociedade Civil (OSC) Hermanitos, iniciativas conjuntas entre governos, agências da ONU e organizações sociais têm melhorado o cenário.

“Temos uma visão positiva quanto a essa questão desde 2018, quando o fluxo migratório aumentou. Graças aos esforços integrados, observamos avanços significativos na redução da vulnerabilidade de crianças e mães venezuelanas em Manaus”, afirmou Duarte ao Portal AM1.

A rede de apoio tem atuado com rapidez. Abrigos foram construídos e programas de saúde, educação e proteção social ampliados. Em fevereiro de 2025, por exemplo, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), lançou o Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (Saiaf), oferecendo assistência humanizada a migrantes em situação de vulnerabilidade social.

Além de oferecer acolhimento, as ações também visam fortalecer a autonomia dessas famílias. O Hermanitos atua especialmente na inserção no mercado de trabalho formal. O projeto “Mujeres Fuertes”, por exemplo, apoia mães solo na busca por emprego. Já o “Jovens em Ação” oferece formação profissional para adolescentes e jovens que buscam o primeiro emprego como aprendizes.

A organização também integra esforços para combater o trabalho infantil, trabalhando em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) e a Secretaria de Inspeção do Trabalho.

“Ainda há desafios, mas os resultados mostram que a colaboração contínua está transformando realidades e fortalecendo a resiliência dessas famílias”, concluiu Túlio Duarte.

 

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