(Foto: Redes sociais)
Manaus (AM) – Os incêndios registrados em estabelecimentos comerciais e os problemas recorrentes no fornecimento de energia no Centro de Manaus aumentaram a pressão sobre a Âmbar Energia. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) anunciou que vai cobrar providências da concessionária e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) diante dos riscos apontados por comerciantes na infraestrutura elétrica da região.
A preocupação ganhou força após uma nova ocorrência registrada na quinta-feira (5), quando chamas e uma grande quantidade de fumaça foram observadas em um estabelecimento comercial no Centro da capital.
O presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, informou que a entidade encaminhará novos ofícios à empresa e à agência reguladora para exigir esclarecimentos técnicos, medidas de segurança e um cronograma de investimentos e melhorias na rede elétrica.
Nova fiação está entre os questionamentos
Um dos principais pontos levantados pela associação é a substituição dos antigos cabos blindados por uma nova fiação instalada pela Âmbar Energia. Segundo a ACA, comerciantes relatam preocupação com interrupções de energia e ocorrências de incêndios após as intervenções na rede.
A entidade quer saber se os novos cabos possuem capacidade adequada para atender à demanda dos estabelecimentos comerciais e se os proprietários dos imóveis foram devidamente informados sobre as mudanças realizadas.
A preocupação é ainda maior em áreas do Centro onde existem prédios geminados. Nesse tipo de construção, um incêndio pode se espalhar rapidamente e atingir imóveis vizinhos, ampliando os prejuízos e colocando em risco comerciantes, funcionários e consumidores.
“Uma ocorrência de incêndio em uma instalação elétrica pode se alastrar rapidamente e atingir três ou quatro estabelecimentos, ampliando os prejuízos e colocando em risco trabalhadores, comerciantes e consumidores”, alertou Bruno Loureiro.
ACA afirma que cobranças anteriores não tiveram resposta
A Associação Comercial afirma que já havia procurado a concessionária anteriormente. Em 1º de julho de 2025, por meio da Carta nº 160/2025, a entidade encaminhou reclamações sobre interrupções frequentes no fornecimento de energia e solicitou providências, além de uma reunião para discutir os problemas.
Segundo a ACA, não houve resposta ao documento. A associação também relata que tentou obter informações sobre os investimentos previstos para melhorar a infraestrutura elétrica do Centro de Manaus e de outras áreas do Amazonas, mas não conseguiu estabelecer diálogo com a empresa.
Agora, a entidade pretende ampliar a cobrança e exigir respostas sobre a segurança da rede, especialmente diante dos episódios que preocupam o comércio da região central.

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Ministério Público já investiga a substituição da fiação
A pressão da ACA ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público do Amazonas (MPAM), instaurada em setembro de 2026, para apurar a regularidade da substituição dos antigos cabos por novos fios de alumínio em Manaus.
O procedimento busca verificar a adequação dos materiais utilizados, os impactos na segurança e na continuidade do fornecimento, além do cumprimento das normas técnicas e do dever de informação aos consumidores.
Em setembro, o MPAM também recomendou que a Âmbar suspendesse temporariamente, por 30 dias, os serviços de substituição da fiação pública, enquanto fossem avaliadas as condições técnicas e de segurança dos materiais. A concessionária foi cobrada a apresentar justificativas, laudos e informações sobre ocorrências de superaquecimento, oscilações, curtos-circuitos e incêndios.
A Defensoria Pública do Amazonas também ajuizou uma ação civil pública após o apagão registrado em 20 de agosto, que atingiu 157.595 unidades consumidoras em Manaus, Iranduba e Manacapuru. A ação incluiu questionamentos sobre a segurança e a conformidade técnica da infraestrutura elétrica.

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Âmbar precisa esclarecer questionamentos
Em manifestação divulgada anteriormente, a Âmbar Energia afirmou que a substituição dos cabos de alumínio nus por cabos revestidos faz parte de um investimento de R$ 5,5 bilhões na modernização da rede de distribuição do Amazonas. A empresa declarou que os materiais e as técnicas utilizados atendem às normas vigentes e que a mudança busca aumentar a segurança e reduzir falhas e riscos de acidentes.
A concessionária também afirmou, em resposta a questionamentos anteriores, que a modernização não altera o consumo nem a tarifa de energia.
Sobre a nova cobrança da ACA, a concessionária foi procurada pelo veículo que divulgou as informações, mas não havia se manifestado até a publicação daquela reportagem.
Enquanto os questionamentos aguardam esclarecimentos, comerciantes do Centro de Manaus cobram respostas sobre a segurança das instalações elétricas e medidas concretas para evitar novas ocorrências. A preocupação é que os problemas na rede deixem de representar apenas prejuízos comerciais e resultem em acidentes de maiores proporções.
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