(Fotos:Bruno Leão/Sedecti/ Divulgação/Chibatão/ Defesa civil do Amazonas)
Manaus (AM) – O rio Negro, em Manaus, registrou na quinta-feira (4) o menor nível de água já observado, alcançando 12,66 metros, a menor em 122 anos. Segundo projeções, o nível pode continuar a diminuir nos próximos dias, o que gera preocupação para os setores industriais e logísticos.
A crise hídrica atual, que já paralisou a navegação no rio Amazonas em 2023, agrava os desafios enfrentados por empresas que dependem do transporte fluvial. A situação pode tornar inviável o tráfego de embarcações em trechos críticos, colocando em risco a segurança de navios, tripulantes e o meio ambiente. Como medida preventiva, a Marinha do Brasil já restringiu a navegação noturna em pontos críticos da Bacia Amazônica, conforme a Portaria Nº 158, publicada em agosto deste ano pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC).
Sem estrada, Manaus é um dos principais portos de contêineres da região, tem uma importância estratégica para a economia do Norte. Com indústrias de eletrônicos, motocicletas e produtos químicos, a cidade depende de um sistema logístico eficiente. No entanto, a baixa dos rios durante o período de estiagem afeta diretamente o transporte de insumos e mercadorias, colocando em risco o abastecimento de itens essenciais, como alimentos, produtos de higiene e materiais para o Polo Industrial de Manaus (PIM).
Em 2022, setores como o da construção civil sentiram os impactos, com fábricas de cimento suspendendo o atendimento ao Amazonas durante a seca. O transporte de grãos, fertilizantes e combustíveis também foi paralisado no rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas.
A dependência da cidade de um sistema logístico fluvial eficiente coloca a região em uma posição vulnerável, e a previsão de que a seca se intensifique nas próximas semanas reforça a necessidade de ações emergenciais para evitar maiores danos econômicos e sociais.
Solução
Setores envolvidos no transporte fluvial de todo tipo de carga para Manaus já colocaram em prática medidas para minimizar os efeitos da seca.
Vale destacar que os pontos mais críticos no rio Amazonas são para navegação de grandes embarcações, contudo, mesmo os barcos menores estão encontrando dificuldades para navegar.
O coordenador da comissão de logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Augusto Cesar Rocha, destaca que “de maneira geral, a indústria está preparada para enfrentar a seca, apesar do sobrecusto”. E reclama que não há uma discussão para resolver o problema de forma definitiva. “A Amazônia segue abandonada do ponto de vista da infraestrutura”, ressalta.
Para minimizar os efeitos da seca, as duas maiores estações portuárias que atuam em Manaus, que são o Porto Chibatão e o Super Terminais, montaram dois píeres flutuantes, para atuação emergencial. O investimento de cada um foi mais de R$ 20 milhões para manterem em funcionamento o carregamento dos contêineres dos navios com calados incompatíveis com a profundidade do rio nesta época.
Os píeres provisórios, de 240 metros de comprimento e 24 metros de largura, vão operar 24 horas por dia.
Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luis Resano, a outra opção é “mandar as cargas para Manaus, e também retirar outras cargas da cidade, pelo Porto de Vila do Conde, no Pará”. Porém, ele destaca que “a distância é um obstáculo”, pois aumenta em pelo menos 10 dias o transporte das cargas.
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