Manaus, 13 de julho de 2024
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Manaus, 13 de julho de 2024

Cenário

Como estão formados os grupos políticos dos pré-candidatos a prefeito de Manaus

Segundo especialistas, partidos rivais, a nível nacional, podem colaborar em nível estadual ou municipal, dependendo das circunstâncias e necessidades locais.

Como estão formados os grupos políticos dos pré-candidatos a prefeito de Manaus

(Fotos: Divulgação/assessoria/Reprodução/Redes sociais/Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – A partir do dia 20 de julho, começa o prazo para que os pré-candidatos a prefeito de Manaus realizem as convenções partidárias para oficializarem as suas candidaturas e é nesse período que os partidos também apresentarão os vices que irão compor as suas chapas para disputar as eleições municipais. Dito isso, o Portal AM1 realizou levantamento sobre as legendas que, possivelmente, se unirão para vencer a corrida eleitoral em Manaus.

Até o momento, há cinco grupos políticos na capital que buscam ser os protagonistas neste pleito. O primeiro, formando pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que está apoiado pelos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB); o segundo, liderado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), que aposta em Roberto Cidade para se tornar o novo prefeito de Manaus.

O terceiro, composto pelo pré-candidato mais jovem na corrida, deputado federal Amom Mandel (Cidadania); o quarto, representando a direita tem Capitão Alberto Neto como aposta para vencer os demais; e o último, composto pela esquerda amazonense, que tem o ex-deputado federal Marcelo Ramos, brigando pela vaga de chefe do Executivo municipal.

Os demais pré-candidatos como Wilker Barreto (Mobiliza) não parecem ter força política suficiente para serem protagonistas, no entanto, podem tirar votos dos que se destacam, hoje, ou podem se unir aos mais fortes para tentar se fortalecer. Destacam-se, ainda, as pré-candidaturas de duas mulheres que defendem princípios totalmente diferentes: Maria do Carmo Seffair, que se identifica mais com a direita, e Natália Demes, do PSoL, do espectro de esquerda.

Alianças firmadas

Após o rompimento do prefeito com o governador em 2023, David tratou de buscar parcerias relevantes para o si e se aliançou com os adversários de Lima, o PSD e MDB, partidos que antes não tinham representantes na Câmara Municipal de Manaus, mas a partir da janela partidária, em abril, ganharam cadeiras no Parlamento, sendo duas para o PSD e quatro para o MDB, todos estão na base do prefeito.

(Fotos: Dhyeizo Lemos/Divulgação – Assessoria – Montagem – Portal AM1)

Conforme o cenário político, é na Câmara Municipal de Manaus (CMM) que é possível fazer a diferença entre os grupos, onde Almeida também obtém apoio do Democracia Cristã, Agir e Avante. Há uma provável aliança com o Republicanos, do deputado federal Silas Câmara, que apesar de ainda não ter anunciado o seu apoio oficialmente, já dá sinais de que o partido faz parte do arco de alianças do chefe do Executivo municipal.

Os vereadores Roberto Sabino, Márcio Tavares, Daniel Vasconcelos e João Carlos são os que integram o partido na CMM, mas eles divergem sobre para qual lado devem correr enquanto Silas permanece em silêncio. Por exemplo, Roberto Sabino e João Carlos estão sempre ao lado de David Almeida publicamente, enquanto Márcio Tavares e Daniel Vasconcelos preferem se unir à oposição ao prefeito.

Nos bastidores há rumores de que o vice de David Almeida pode vir do PSD ou do MDB, ou mesmo do próprio Avante, mas nada está definido até o momento. Cabe destacar que no jogo político as alianças entre partidos são formadas com base em uma combinação de fatores estratégicos, ideológicos e pragmáticos. Portanto, o que se observa nesse grupo é que David pode escolher um vice que atenda tanto às suas necessidades quanto às de seus apoiadores.

Vale ressaltar ainda, que estas eleições municipais são de muita importância para os cabeças desses grupos políticos, pois é deles que pode ocorrer uma nova disputa por vagas ao Governo do Amazonas e no Senado federal.

Ampliar a base de apoio

O segundo grupo que obtém mais alianças é formado pelo União Brasil, o qual tem o governador do Amazonas, Wilson Lima, como presidente estadual e que escolheu o deputado estadual Roberto Cidade para ser o cabeça de chapa da legenda.

(Foto: Reprodução/Redes sociais – @robertocidade)

O UB está aliançado com o PODE, PV, PMB, Progressistas, PRD e PSB. Como mencionado anteriormente, alguns vereadores do Republicanos estão andando com Roberto Cidade, mas essa aliança pode ser rompida se o partido resolver escolher caminhar com o Avante, ou seja, aqueles que agora atuam como oposição ao prefeito terão que apoiá-lo ou cometerão infidelidade partidária, como está fazendo o deputado federal Saullo Vianna, eleito pelo UB, que diz estar satisfeito com o partido, mas está apoiando David Almeida.

Especialistas, inclusive, costumam dizer que o cenário está se formando e conforme se aproxima o pleito, as alianças podem se formar para aumentar as chances de vitória nas eleições.

Para o cientista político e filósofo, Helso Ribeiro, ao unir forças, partidos menores podem superar barreiras eleitorais, como cláusulas de barreira ou sistemas de representação proporcional, e partidos maiores podem ampliar sua base de apoio, como está fazendo o União Brasil.

Além disso, segundo já afirmaram outros especialistas em inúmeras ocasiões, partidos rivais em nível nacional podem colaborar em nível estadual ou municipal, dependendo das circunstâncias e necessidades locais. Inclusive, há rumores de uma possível aliança entre o UB e o Partido Liberal, que tem Capitão Alberto como pré-candidato para que este seja o vice de Roberto Cidade.

Mas o deputado federal já afirmou, várias vezes, que não há possibilidade de desistência da sua pré-candidatura, tanto que ele procurou “dialogar” com a sua concorrente, Maria do Carmo Seffair (NOVO), na última semana, para que esta seja sua vice-prefeita, e, conforme o vocabulário do candidato de Bolsonaro, há chances de essa aliança se concretizar, pois Alberto Neto até afirmou que, se ele não fosse pré-candidato neste pleito, a escolheria para ser a sua representante, pois Seffair carrega princípios da direita que se alinham com os que ele segue.

Caminhando sozinhos

Ao que parece, o Partido Liberal está caminhando sozinho rumo às eleições, já que os outros partidos não se manifestam sobre articulações com a legenda. Dessa forma, a única maneira que Alberto Neto tem de crescer nas pesquisas eleitorais é usufruir 100% da imagem do ex-presidente Bolsonaro e alavancar o seu nome, por isso, ele busca estar sempre ao lado de Bolsonaro.

 

(Fotos: Reprodução/Redes sociais- @capitaoalbertoneto)

Iguamente está o Cidadania, que aposta em Amom Mandel as suas cartas, já que o parlamentar se destaca como segundo colocado nas pesquisas eleitorais, atrás somente de David Almeida. Amom tem o apoio do PSDB, liderado no Amazonas pelo senador Plínio Valério, que tinha alguns nomes para apresentar ao pré-candidato como possíveis vices, mas de acordo com os bastidores, Valério decidiu não se envolver mais nessa questão porque Amom teria desprezado as sugestões.

Os políticos não se manifestaram ainda sobre os rumores. Após os rumores, Mandel publicou uma foto com o senador para dizer que estava “tudo bem” entre eles.

(Fotos: Reprodução/Redes sociais- @eusouamom)

O que resta ao pré-candidato é se envolver com outros partidos para garantir tempo de televisão e rádio suficientes para que ele possa apresentar suas propostas. Mandel é o único político que representa a força jovem neste pleito e confia nas suas redes sociais para se autopromover.

Ele até possui grande número se eleitores, mas muitos deixaram de segui-lo depois de perceberem que ele evita falar sobre votações de projetos essenciais à Zona Franca de Manaus, por exemplo. Além disso, muitos seguidores do parlamentar criticam o seu posicionamento e afirmam que ele “vive em cima do muro”.

Como Amom não conseguiu, ainda, conquistar outros partidos para com ele caminhar, ele decidiu viajar para outros estados para, segundo ele, buscar ideias inovadoras com foco na melhoria de Manaus. Ele também foi bastante criticado pelos adversários e acusado de não fazer nada para cumprir com o seu papel de deputado federal e melhorar a vida da população amazonense, mas que prefere “estar viajando” Brasil afora.

Conquistando espaço

Ao contrário de Alberto Neto e Amom, Marcelo Ramos “conversa” com outros partidos que fazem parte da federação PT-PV e PCdoB. Apesar da federação resistir à sua pré-candidatura, nesta terça-feira (9), foi batido o martelo e o seu nome foi o confirmado para ser apresentado oficialmente nas convenções.

Ramos também tem se mostrado um ótimo articulador, já que conseguiu retirar o PDT do arco político de Roberto Cidade em curto período de tempo.

Além disso, Marcelo se sustenta em vídeos que compartilha nas suas redes sociais, atacando outros adversários e com provas, cobrando credibilidade dos Poderes Executivos para o presidente Lula (PT), que o escolheu a dedo para concorrer à Prefeitura de Manaus.

Marcelo já sinalizou o nome de Vanda Witoto (Rede) como sua possível vice-prefeita, inclusive, ao Portal AM1,  ela já afirmou que essa aliança é uma das possibilidades, mas que no momento, está focada para ser vereadora de Manaus. Ramos até disse à reportagem que Witoto preenche todos os requisitos que ele deseja de um vice-prefeito; porém, até agora, tudo está na fase do diálogo.

‘Esquecidos’

Nomes como Natália Demes e Wilker Barreto, do PSol e Mobiliza, respectivamente, ainda continuam “esquecidos” até o momento. Embora estejam se posicionando contra a atual gestão municipal e compartilhando propostas nas redes sociais com os eleitores, além de entrevistas com a imprensa, os políticos não crescem como os demais nas pesquisas eleitorais.

Entre eles, o único que aparece nas pesquisas, mas nas últimas colocações é Wilker Barreto, junto a pré-candidata do Novo, Maria do Carmo Seffair. Os pré-candidatos não são procurados por outras legendas, pelo menos não há essa informação nas suas redes sociais e nem em suas equipes.

Mas, segundo Helso Ribeiro, dependendo de como estarão posicionados os políticos, poderemos ver união entre as siglas futuramente. “São oito pré-candidaturas e, muitas vezes, aquele que tem menos chances, que oferece menos perigo, às vezes, ele agrega um certo número de eleitores que ninguém quer dispensar”.

Grupos políticos ou apenas aliados?

Helso Ribeiro – cientista político (Foto: Acervo pessoal)

Para o especialista, David Almeida, Eduardo Braga e Omar Aziz não parecem ser um grupo político, assim como Amom Mandel e Plínio Valério. “O que a gente observa é que, muitas vezes, uma eleição tem acordos ou formam grupos eleitoreiros, e qual é a diferença? É que visam ganhar apenas aquela eleição e ponto final. Quando acaba a eleição, eu diria, toca titãs, cada um por si e Deus contra todos”.

O especialista foi questionado sobre a importância dessas eleições municipais para o pleito de 2026, em relação ao que chamamos de “caciques políticos”. Ribeiro afirmou que as movimentações no tabuleiro já começam desde agora para que um objetivo possa ser alcançado futuramente.

“A política é um verdadeiro jogo de xadrez, muitas vezes, você mexe uma peça agora visando dar um xeque-mate na próxima eleição, isso, de fato existe. Isso ocorre muito em candidaturas majoritárias que têm visibilidade, para alguns candidatos serem lembrados lá em 2026, se eles forem disputar uma vaga na Câmada dos Deputados, no Senado, até mesmo na Assembleia Legislativa. Dessa forma, as eleições deste ano têm uma visibilidade para 2026. Se você for perguntar de todos os [possíveis] candidatos, eles vão dizer que não, que está muito cedo [para falar sobre], mas dentro do xadrez politico, sim, é possível de deslumbra nomes para 2026. Um deles é o do governador Wilson Lima, que já está no segundo mandato, significa que ele não pode se candidatar ao governo novamente e resta a ele duas hipóteses: completar os quatro anos de mandato e ir para casa, ou em 2026 ele deixar o governo no final de março e se candidate a algum cargo eletivo”.

Ribeiro acredita que Wilson Lima possa vir a disputar uma vaga no Senado, mas que o governador irá evitar falar sobre o assunto até que seja confirmada a sua candidatura ao pleito.

Já sobre o cenário para David Almeida, em 2026, Helso Ribeiro diz que nos bastidores já se especula que o prefeito de Manaus poderá disputar o Governo do Amazonas. “Caso seja eleito prefeito, ele poderá vir a disputar o governo, caso não ganhe, eu vejo a carreira de David limitada, talvez, à Assembleia Legislativa, talvez à Câmara dos Deputados”.

Conforme Ribeiro, já existem conversas de bastidores que indicam Omar Aziz como uma das peças para disputar o governo estadual; mas são muitas as especulações e, segundo o cientista político, “só o tempo vai aclarar a luz para essas obscuridades”.

 

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