Manaus, 15 de junho de 2024
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MARGARETH QUEIROZ Comunicação na era digital

MARGARETH QUEIROZ  Comunicação na era digital

A internet mudou a vida das pessoas, causou uma verdadeira revolução na comunicação e balançou as estruturas do mercado de trabalho para jornalistas, em todas as frentes de atuação – seja nas redações ou nas assessorias de comunicação.

A era digital alterou radicalmente os paradigmas da comunicação. Antes, o processo consistia em uma via de mão única. O papel de cada um era bem nítido na engrenagem. Os emissores – os veículos de comunicação – tinham a supremacia para escolher as informações que seriam transformadas em notícia para consumo da população, no caso, os receptores. As assessorias de comunicação dedicavam atenção total à imprensa tradicional, a quem enviavam releases (matérias jornalísticas), sugestões de pauta e informações exclusivas, na expectativa de vê-los estampados nos jornais impressos ou repercutidos nos programas de rádio e televisão.  

Com a internet e com a expansão dos dispositivos móveis, como tablets e smartphones, tudo mudou, inclusive e, principalmente, o papel do cidadão comum no processo de construção da notícia. De celular em punho, ele registra flagrantes e posta online, antes mesmo que a imprensa divulgue. Faz comentários na internet, que transformam-se em virais, sendo compartilhados por milhões de pessoas.

A produção da notícia não está mais concentrada na mão da imprensa, está ao alcance de todos. E essa nova realidade, é claro, atingiu em cheio os jornalistas, com o enxugamento das redações e a multiplicação de blogs, portais, influenciadores digitais, todos produzindo notícias, sem necessidade da profissionalização.

O novo cenário afetou também o trabalho dos assessores de comunicação. Afinal, o poder de transformar informação em notícia, agora, está na mão de qualquer pessoa. É claro que nem todos conseguem, mas a possibilidade existe para qualquer um e não somente para os empresários da comunicação.

A dinamicidade imposta pelas redes sociais imprimiu um novo ritmo ao trabalho, tanto para quem produz como para quem quer se ver ou ver o seu produto na mídia. Quem gera informação e se for algo factual, quer publicá-la mais rápido que os concorrentes, por isso, nem sempre aguarda o outro lado se posicionar, quando se trata de uma denúncia, por exemplo – regra até então primordial no jornalismo. Muitos publicam e deixam em aberto para colocar a resposta depois, quando o estrago já foi feito. Por conta da nova rotina (ou falta dela), as organizações e os seus departamentos de comunicação precisam, mais do que nunca, estar a postos 24h, para responder às demandas assim que elas chegam.

Outro desafio com a revolução causada pelas redes sociais é o de conseguir defender-se ou ao seu cliente, de alguém muitas vezes invisível – seja porque não se identifica no expediente da publicação ou porque se esconde por trás de falsos perfis, para propagar notícias duvidosas, que se espalham em questão de segundos.

Via de regra, nesse novo mundo, o conselho é manter-se sintonizado com o que está circulando nas redes sociais e procurar dar respostas rápidas para as demandas que chegam. Outra coisa importante é levantar os interlocutores – nessa gama de perfis e de influenciadores digitais –, com os quais vale a pena se relacionar, e estabelecer com eles uma rotina, abastecendo-os com informações relevantes e, de preferência, exclusivas. Nesse funil, deve-se levar em conta não somente o número de seguidores que a pessoa tem, mas a credibilidade das notícias que divulga.

As organizações corporativas também podem e devem criar canais próprios de relacionamento com os seus públicos (no youtube, facebook, instagram etc, além de sites e blogs). Mas é preciso identificar os mais apropriados para a sua necessidade e a estrutura que possui para mantê-los atualizados e responder às demandas do público. Não adianta só criar e não alimentar. Não adianta só postar e não interagir.

Pode até parecer, pela abundância de notícias disponíveis hoje e pelo enorme contingente de pessoas comentando qualquer tipo de informação, que a qualidade do conteúdo perdeu importância. Ao contrário. Pelo que percebo, há uma grande inquietação em torno do que se posta e se discute nas redes sociais e um clamor que começa a se manifestar mais incisivamente por conteúdo de qualidade.  

Os tempos mudaram, não resta dúvida, e não há como voltar atrás. Contudo, a informação honesta e de qualidade ainda faz muita diferença e em qualquer plataforma.

José Mayer e o caso de assédio

Tal qual “A Rosa Púrpura do Cairo”, filme que o personagem sai da tela para interagir com a espectadora, o ator global José Mayer incorporou, na vida real, o papel de machão que o consagrou em várias novelas. Ao assediar, por seguidas vezes, uma figurinista nos bastidores da Globo, ele sentiu de forma dolorosa o poder das mídias sociais. Negou o ocorrido, num primeiro momento, mas foi obrigado a voltar atrás e pedir desculpas, após a enorme repercussão da carta-denúncia publicada pela vítima. A Globo agiu rapidamente para não ser chamuscada pelo episódio. Suspendeu o ator das suas produções (embora ele apareça em novelas que estão sendo reprisadas nas emissoras da rede), tratou de cobrir o fato nos seus noticiários e deixar claro, em nota, que repudia atitudes do tipo. A carta escrita por José Mayer, pedindo desc ulpas, foi correta nas colocações, exceto quando tenta colocar a culpa do seu procedimento no fato de vir de uma geração machista. De qualquer forma, conseguiu frear a onda de fúria contra ele, mas o estrago já estava feito. E bem merecido.

*Margareth Queiroz é sócia-proprietária da Três Comunicação e Marketing, empresa com 20 anos de atuação na região. É jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas – Ufam, com mestrado em Comunicação Social pela Universidade de Brasília – UnB.

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