Segundo interlocutores, Michelle permanecerá em Brasília para acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Ela tem atuado diretamente nos cuidados com a rotina do ex-chefe do Executivo, organizando medicamentos, alimentação e demais necessidades diárias.
No entanto, o contexto político também pesa sobre a decisão. A ausência ocorre pouco mais de um mês após Michelle tornar público o rompimento com Flávio Bolsonaro. Em junho, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “maltratada” e “humilhada” pelo senador e revelou que os dois não mantêm contato desde o fim de 2025.
O distanciamento ganhou novos capítulos desde então. Michelle deixou a presidência do PL Mulher, estrutura considerada estratégica para ampliar a participação feminina no partido, e lançou o movimento Imparáveis, sinalizando uma atuação política independente da campanha presidencial conduzida por Flávio.
Nos bastidores, aliados afirmam que Michelle também comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que não pretende integrar a campanha do senador e ainda avalia se disputará uma vaga ao Senado nas eleições de 2026.
A ausência na convenção se soma a outro gesto político recente: Michelle também não participou de um encontro promovido por Flávio Bolsonaro com lideranças femininas de direita, em Brasília, evento que serviu de base para a criação do programa Brasil por Elas, uma das apostas da campanha para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
Embora o PL atribua a decisão a questões de logística e aos cuidados com Jair Bolsonaro, o não comparecimento da ex-primeira-dama ao principal ato político da legenda evidencia a falta de unidade em torno da candidatura de Flávio. Considerada um dos nomes de maior aprovação entre o eleitorado conservador, Michelle permanece como uma das principais lideranças do bolsonarismo, e sua distância da campanha tende a alimentar especulações sobre os rumos da direita nas eleições de 2026.