Ex-secretário de Segurança, coronel Vinícius Almeida disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas - (Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – O ex-secretário de Segurança Pública da gestão de Wilson Lima, coronel Vinícius Almeida (Podemos), disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições deste ano. Durante a campanha, o coronel tem divulgado entregas e projetos realizados durante sua passagem pela pasta, entre eles ações de segurança pública que também foram destacadas em suas redes sociais.
Vinícius assumiu a SSP-AM em 29 de agosto de 2023, após a saída do general Carlos Alberto Mansur. Antes, comandava a Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Permaneceu à frente da pasta até abril de 2026, quando deixou o cargo para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral. O ex-secretário faz parte do grupo político de Wilson Lima e Roberto Cidade.
Durante a gestão, o coronel ganhou espaço nas redes sociais com vídeos de apreensões de drogas, operações policiais e entregas de equipamentos. Para críticos, a exposição constante transformava o secretário no principal personagem de uma estrutura que deveria divulgar o trabalho do Estado. A estratégia era vista como uma forma de preparar o terreno para uma futura disputa eleitoral, usando a visibilidade da pasta.
Palanque
Na campanha, o ex-secretário tem como principal aliado as entregas e ações do período que passou à frente da pasta. Em uma publicação, Vinícius apresenta “sete entregas da nossa gestão que merecem repost”, recorrendo a ações realizadas durante sua passagem pela SSP-AM para reforçar sua imagem eleitoral. Entre os projetos destacados estão o Sistema Paredão, a Base Arpão, o RecuperaFone, lanchas blindadas, viaturas tecnológicas, lanchas Maria da Penha e armamentos.
Críticas
A exposição de Vinícius era alvo de críticas quando ele comandava a SSP-AM. O vereador e candidato a deputado federal Sargento Salazar questionava a presença frequente do coronel nas redes sociais e criticava o que considerava uma prioridade excessiva ao marketing digital.
Para Salazar, enquanto o secretário aparecia em vídeos e publicações, policiais da linha de frente enfrentavam o crime nas ruas e colocavam a própria vida em risco. O vereador também questionava a atuação de Vinícius à frente da segurança e chegou a apelidá-lo de “Semi Deus”, em referência à postura que atribuía ao ex-secretário.
As declarações representam a avaliação de um adversário político e não comprovam, por si só, irregularidades na gestão. Mas ajudam a mostrar que a imagem construída nas redes sociais já provocava desconforto entre representantes da própria área de segurança.
O sargento Salazar chegou a publicar nas redes sociais uma crítica à suposta restrição de entrevistas concedidas por policiais. Na publicação, afirmou que “policiais estão proibidos de dar entrevistas” e que somente o secretário poderia falar.
A segurança no centro das controvérsias
A gestão de Vinícius Almeida à frente da SSP-AM também acumulou episódios controversos. Em novembro de 2025, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) recomendou ao comando da PMAM medidas para impedir interferências externas na rotina operacional da corporação. O episódio envolveu o comparecimento do então secretário ao Centro de Comunicação e Operações da PM (Cecopom), onde, segundo o documento, teria exigido o monitoramento de uma câmera específica e ameaçado prender militares de serviço.
A recomendação apontou possível ingerência externa indevida, quebra da hierarquia e constrangimento da tropa. O MPAM orientou que ordens externas fossem formalizadas e encaminhadas pela cadeia de comando.
O caso colocou em discussão os limites da atuação do secretário sobre uma instituição militar e a necessidade de preservar a hierarquia e a disciplina da PMAM.
Outro episódio de repercussão ocorreu em 2024, quando o deputado federal Amom Mandel acusou integrantes da cúpula da segurança de utilizar forças policiais para intimidá-lo. Na época, Coronel Vinícius, negou a acusação e afirmou que a abordagem policial havia seguido procedimentos de rotina.
Essa é a primeira vez que o Coronel Vinícius disputa um cargo eletivo.
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