(Fotos: Divulgação/Logo do PT/ Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Ao longo de 2025, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi a sigla que mais registrou novas filiações no país, em um movimento que contrasta com a queda registrada por partidos como MDB, PL e União Brasil. Dados divulgados por um colunista indicam que o PT encerrou o ano com cerca de 1,67 milhão de filiados, consolidando-se como a segunda maior legenda do país e registrando um crescimento líquido de aproximadamente 24,6 mil novos inscritos até dezembro.
Para o cientista político Helso Ribeiro, ouvido pelo Portal AM1, esse avanço não é um fenômeno pontual, mas parte de uma trajetória histórica de fortalecimento da sigla. Segundo ele, desde os anos 1980 o PT vem se consolidando como uma das principais forças políticas do país, figurando como primeiro ou segundo colocado em todas as eleições presidenciais.
“De forma preambular, é importante destacar que, desde os anos 1980, o PT é um partido que vem crescendo. A partir de 1989 e 1990, quando houve a primeira eleição para a Presidência da República após a redemocratização, o PT esteve presente em todas as disputas. Passamos por Collor, Fernando Henrique Cardoso nos dois mandatos, depois Lula 1 e 2, Dilma 1 e 2, Bolsonaro e agora novamente Lula. Em todas essas eleições, o PT ficou em primeiro ou segundo lugar” avalia.
Ao analisar a trajetória do PT no cenário eleitoral brasileiro, Helso Ribeiro avalia que, independentemente do tamanho das bancadas parlamentares, a legenda mantém um desempenho consistente nas urnas ao longo das últimas décadas.
“É um partido que se fortalece sem sombra de dúvida. Ele às vezes não tem a maior bancada no Congresso Nacional, mas ele tem votos, isso é fato”, mencionou.
Em relação se o crescimento do PT reflete um fortalecimento real ou é influenciado por outros fatores, Ribeiro destaca o ambiente de polarização política entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para ele, essa lógica de confronto acaba retroalimentando os dois polos, mas favorece diretamente o PT neste momento.
“Eu diria que a prática maniqueísta que está tendo entre Lula e Bolsonaro serve, de alguma forma, para retroalimentar os dois. Parece que um se alimenta do outro. Isso faz com que o PT ganhe adeptos, isso aí sem dúvida. Agora, já o PL do Bolsonaro, a gente sabe que o ex-presidente nunca foi fiel a nenhum partido. O PL, eu acho, é o oitavo ou nono partido do qual ele faz parte. Então, isso acaba não atraindo tantos militantes ainda que atraia também”, afirmou.
Ao comentar sobre os fatores que explicam o avanço no número de filiações, o cientista político destaca que a ocupação do poder costuma influenciar diretamente o fortalecimento das legendas. Segundo ele, partidos que integram ou comandam o governo, tendem a ampliar sua base de apoio e filiação.
“O que ocorre também é o fato de estar tendo esse crescimento, esse fortalecimento. Sempre que há um governo alternante no poder, ou o partido faz parte de um governo, há uma tendência de ele ganhar corpo, de crescer. Eu entendo que isso é o que faz esse fortalecimento do PT. Estando no governo, acaba ganhando corpo”, disse.
Outro fator determinante, segundo Ribeiro, é o fato de o partido estar novamente no comando do Executivo federal. O cientista político ressalta que, historicamente, legendas que ocupam o governo tendem a ganhar mais filiados e ampliar sua influência política.
“O fator que mais pesou para esse crescimento é o fato de o Lula estar no poder. Isso pesa muito. O fato de ter alguém no comando de um governo influencia bastante. Agora, é claro que, como eu falei anteriormente, esse dualismo de viés maniqueísta entre Lula e Bolsonaro acaba alimentando esse crescimento também”, explica.
Na avaliação de Ribeiro, o avanço do PT não está ligado a mudanças internas na legenda. Ele aponta que a direção partidária segue linhas semelhantes às de gestões anteriores, mantendo o perfil de partido de massa e ideológico, sem alterações estruturais que expliquem, por si só, o aumento no número de filiados.
“Eu não vejo mudanças internas na legenda aumentando isso, não. O PT continua; a sua direção segue agindo como as anteriores agiram, tentando fazer com que o partido seja, aliás, mantendo a ideia de ser um partido de massa e, ao mesmo tempo, um partido de quadros, um partido ideológico. Mas não é a condução do partido que gera essa robustez”, explicou.
Enquanto o PT avança, o MDB, apesar de seguir como o partido com o maior número absoluto de filiados no país, cerca de 2,03 milhões, foi a legenda que mais perdeu integrantes em 2025, com uma retração líquida estimada em 36 mil filiados. Ainda assim, Ribeiro pondera que isso não significa, necessariamente, um enfraquecimento político.
“O MDB, desde sempre, foi o partido com o maior número de diretórios Brasil afora. Se for observar todos os governos pós-ditadura militar, pode começar com Sarney e ir até o Lula 3: todos esses governos tiveram o MDB ou o PMDB, como era antes como partido aliado. O MDB não é um partido de oposição; ele gosta de estar no poder. Esteve no poder com Collor, com Itamar, com todos eles. Se pegar Fernando Henrique 1 e 2, Lula 1 e 2, Dilma 1 e 2 tanto que o vice da Dilma era o Temer e por aí vai. Então, o MDB sempre esteve no poder”, comentou.
Ao comentar o desempenho de outras legendas no cenário partidário nacional, o cientista político faz uma distinção entre partidos que cresceram por fatores conjunturais e aqueles cuja força está mais ligada à estrutura institucional do que à mobilização de filiados.
“Em relação ao PL e ao União Brasil, o PL deu um impulso, teve uma crescida com a vinda do Bolsonaro. Antes, ele era um partido de médio para pequeno”, disse.
Ao final da análise, Helso Ribeiro destaca que, apesar da presença institucional e do peso regional de algumas siglas, isso nem sempre se reflete em engajamento orgânico ou histórico de filiação.
“O União Brasil já é a junção do que era antes, o PFL. É um partido de centro, com um programa muito parecido com vários outros, que faz parte do centrão. Não é uma legenda tradicional. No momento, tem muitos filiados e uma boa bancada no Congresso Nacional. No Amazonas, inclusive, tem o maior número de prefeitos e um governador, mas nunca foi um partido de grandes filiações”, conclui.
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