Manaus, 7 de julho de 2026
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José Melo

Opinião

José Melo

Crise global: A escassez da água doce e alimentos

Água doce e alimentos são essenciais para a vida.

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Foto: Pixabay

Por José Melo – Professor e ex-governador do Amazonas

Desde que a agricultura foi dominada na África, espalhando-se posteriormente pela Mesopotâmia, Europa, Ásia e pelo Novo Mundo, ela também impulsionou o crescimento da população mundial.

A descoberta de novas tecnologias de produção, plantio, pastagens e fertilizantes motivou o avanço das populações no campo e nas indústrias. Os melhoramentos genéticos influenciaram diretamente o aumento da produção de alimentos.

Todos esses inventos levaram ao uso intensivo de água doce. Com o crescimento populacional, aumentou a demanda por alimentos e, consequentemente, a utilização de recursos hídricos.

A irrigação dos plantios e dos campos, assim como o funcionamento das indústrias, passou a exigir enormes quantidades de água doce.

Hoje temos mais de 8,1 bilhões de pessoas que utilizam água no planeta, e mais milhões de fábricas que também utilizam intensamente água em seus processos produtivos. Só na China existem 4,5 milhões de empresas; nos EUA, são 18.500 grandes empresas e 79,9 milhões de pequenas e médias empresas; no Brasil, são 9 mil grandes empresas e 5,7 milhões de pequenas e médias empresas.

Todas as empresas do planeta têm uma coisa em comum: utilizam água doce em seus processos de produção.

Por outro lado, a mecanização da agricultura e a supervisão passaram a exigir uma quantidade cada vez mais intensiva de água.

Hoje, os grandes rios do planeta estão assoreados, possuindo uma quantidade menor de água do que há 50 anos.

Essa equação não fecha: de um lado, um processo de produção de alimentos demandando água doce em progressão geométrica e, de outro, os rios com menores volumes de água. Para agravar ainda mais o problema, a população mundial continua crescendo.

Apesar desse avanço na produção de alimentos, mais de 733 milhões de pessoas passam fome hoje no planeta.

Portanto, a escassez de água doce e de alimentos são dois problemas graves que a humanidade tem que enfrentar.

Os EUA, a Europa, a Ásia e os demais continentes já ocupam quase a totalidade de suas áreas agrícolas.

O Brasil, no entanto, ainda possui imensas áreas não utilizadas, incluindo o semiárido e os campos naturais de Roraima.

Nosso país também possui a maior quantidade de água doce do planeta e ainda enormes reservas no subsolo (aquíferos).

A solução para a escassez de água doce e de alimentos passa, necessariamente, pelo nosso país, que precisa entender e fazer valer sua posição estratégica nesse contexto.

Mas, infelizmente, o Brasil não tem sido altivo nessa nem nas discussões ambientais

 

 

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