Manaus, 9 de agosto de 2026
×
Manaus, 9 de agosto de 2026

Cenário

Debate da Band reúne propostas, cobranças e confrontos entre candidatos ao Governo do Amazonas

Ausência de Roberto Cidade também ganhou espaço no primeiro encontro televisionado da disputa eleitoral.

debate-da-band-reune-propostas

Manaus (AM) – O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela Band Amazonas na noite deste domingo (9), reuniu Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (Rede).

O encontro abordou saúde, educação, segurança pública, violência contra a mulher e direitos indígenas. O governador Roberto Cidade, candidato à reeleição, não participou.

A ausência de Cidade foi justificada por sua campanha horas antes do programa. Em nota, a coordenação informou que o governador recebeu orientação jurídica para não participar de debates ou sabatinas antes de 16 de agosto, data de início oficial da campanha eleitoral. A equipe também alegou que os adversários estariam organizando um “jogo combinado” para concentrar ataques contra ele. Segundo a nota, Cidade estará disponível para os próximos debates após o começo da campanha. Seu púlpito permaneceu vazio durante a transmissão.

Mesmo ausente, Cidade teve o governo citado pelos adversários, principalmente nas discussões sobre os problemas da saúde, da educação e da segurança pública. Omar Aziz também criticou a decisão do governador de não comparecer ao encontro.

O confronto mais frequente da noite ocorreu entre David Almeida e Maria do Carmo. Na área da educação, Maria defendeu professores qualificados, maior permanência dos alunos em sala de aula e a transformação das escolas estaduais em unidades de tempo integral, com atividades no contraturno. “Não existe progresso no ensino sem sala de aula”, declarou.

David respondeu apresentando os resultados da rede municipal de Manaus. O candidato afirmou que a capital alcançou a melhor nota de sua história no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além de ocupar posição de destaque entre as capitais brasileiras. Também citou a merenda escolar e a criação de vagas em creches e escolas de tempo integral como vitrines de sua administração.

Maria questionou os números apresentados pelo ex-prefeito e declarou que a realidade encontrada nas comunidades seria diferente. A discussão avançou para a atuação de Maria do Carmo na Fametro. David citou avaliações dos cursos de Medicina e Direito da instituição e afirmou que o curso médico recebeu nota 1. Maria respondeu que os efeitos da avaliação foram suspensos por decisão judicial e declarou que a instituição trabalha para melhorar a qualidade do ensino.

David também cobrou de Maria a entrega do Tropical Hotel e a transformação da Santa Casa de Misericórdia em hospital universitário. “Uma coisa é muito fácil falar, a outra é fazer e entregar”, disse. A candidata rebateu com críticas à administração de Manaus e voltou a questionar os resultados divulgados pelo adversário.

Na saúde, David classificou a situação da rede estadual como uma das piores crises enfrentadas pelo Amazonas. O candidato criticou a terceirização dos serviços de urgência e emergência e prometeu reduzir as filas do Sistema de Regulação, o Sisreg. Ele afirmou que pretende levar para o Estado medidas aplicadas em Manaus, onde, segundo ele, a cobertura da atenção básica passou de 47% para 94%.

A segurança pública provocou outro embate, desta vez entre David e Omar. Aziz relembrou sua experiência como secretário de Segurança e governador, defendeu a retomada do funcionamento das delegacias durante 24 horas e anunciou concurso para a contratação de 5 mil policiais militares, além de concurso para delegados da Polícia Civil. O candidato ainda falou em ampliar o efetivo e enfrentar o narcotráfico nas fronteiras.

David contestou o uso do Ronda no Bairro como principal resultado de Omar na área. Segundo ele, policiais relataram que o programa submetia a categoria a uma carga excessiva, chamada de “escala da morte”. O ex-prefeito associou o modelo à única greve da Polícia Militar registrada no Estado e defendeu concursos públicos, valorização das polícias e integração das forças estaduais com guardas municipais treinadas e armadas.

O combate ao feminicídio também entrou na pauta. Omar defendeu a ampliação da Patrulha Maria da Penha, o funcionamento permanente das delegacias especializadas, o cumprimento rápido das medidas protetivas e políticas para garantir independência financeira às mulheres vítimas de violência. Maria propôs ampliar casas de acolhimento para mulheres e filhos ameaçados, além de incluir ações de prevenção à violência nas escolas.

Isael Munduruku buscou marcar posição como representante indígena e candidato de esquerda. Ele afirmou que não estava no debate para cumprir um “papel folclórico” e criticou a política tradicional. Em confronto com Maria do Carmo, questionou a aproximação da candidata com a família Bolsonaro e a posição do PL contrária à demarcação de terras indígenas. Isael classificou o projeto político da adversária como uma “tragédia” para os povos originários.

O debate mostrou as estratégias que devem orientar o início da campanha: David Almeida apresentou números de Manaus como prova de experiência administrativa; Maria do Carmo defendeu mudança e concentrou boa parte de seus ataques em David e Roberto Cidade; Omar Aziz explorou sua passagem pelo Governo do Estado; e Isael Munduruku tentou ocupar o espaço de alternativa aos grupos políticos tradicionais. Cidade, apesar de não comparecer, permaneceu no centro de parte das críticas e discussões.

LEIA MAIS: