Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Delegado da PC-AM contesta defesa da soberania venezuelana feita por Marcelo Ramos

As críticas foram feitas em formato de “react” e abordam direitos humanos, intervenção internacional e democracia.

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(Fotos: delegadocostaesilva/Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – O delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Costa e Silva, fez duras críticas ao ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT-AM) após a divulgação de um vídeo em que o petista comenta a crise política na Venezuela e a possibilidade de interferência internacional no país vizinho.

A manifestação do delegado ocorreu em formato de “react” mencionando trechos de Marcelo Ramos nas redes sociais neste domingo (04/01).

Logo no início, Costa e Silva afirmou que decidiu responder ao vídeo por reconhecer o histórico acadêmico e político de Marcelo Ramos. Segundo ele, o ex-parlamentar é uma pessoa “esclarecida”, que já atuou como professor de Direito Constitucional, assim como o próprio delegado lecionou Direito Penal. No entanto, Costa e Silva avaliou que o petista iniciou o debate de forma equivocada ao, em sua visão, relativizar princípios fundamentais.

Para o delegado, a dignidade da pessoa humana e a liberdade devem prevalecer sobre qualquer conceito de soberania estatal.

“O povo é mais importante do que qualquer outra coisa, até maior do que o próprio Estado”, afirmou, citando a Declaração Universal dos Direitos Humanos como base para sua argumentação.

No trecho divulgado pelo delegado, Marcelo Ramos,  defendeu que a discussão não deveria se concentrar na avaliação do governo de Nicolás Maduro, mas sim no respeito à soberania dos países.

“Eu sou brasileiro, não posso intervir na política interna venezuelana, assim como não gostaria que eles intervissem na nossa”, declarou o ex-deputado, ressaltando o princípio da não intervenção entre Estados.

Em resposta, Costa e Silva argumentou que esse princípio só se sustenta quando um país vive em condições democráticas plenas, com direitos e liberdades preservados. Segundo ele, em contextos de violações graves, a intervenção internacional pode ser necessária para resgatar direitos básicos.

O delegado chegou a defender a possibilidade de uma administração externa temporária na Venezuela, caso isso fosse necessário para restabelecer a ordem institucional.

“Que administre até que se convoquem novas eleições, fiscalizadas, para que o povo venezuelano possa escolher livremente seus representantes”, afirmou.

Outro ponto central do embate foi a questão do petróleo venezuelano. Marcelo Ramos classificou como “grave” declarações atribuídas ao vice-presidente dos Estados Unidos, que teria afirmado que o petróleo da Venezuela foi “roubado” dos norte-americanos, argumento que, segundo ele, estaria sendo usado para justificar uma possível invasão. Para o ex-deputado, esse discurso fere diretamente a soberania e a autodeterminação dos povos.

Costa e Silva rebateu afirmando que, embora o petróleo seja, de fato, venezuelano, é necessário questionar quais benefícios essa riqueza trouxe à população.

“Há uma riqueza gigantesca, mas o povo vive submisso a abuso de poder, fome e miséria”, disse. Para ele, a solução passa pela realização de eleições livres e pela proteção das riquezas naturais em favor da população.

O delegado também ironizou a defesa de Marcelo Ramos sobre a possibilidade de oposição política interna na Venezuela. Segundo Costa e Silva, é ilusório acreditar que a democracia possa ser restaurada apenas por meios institucionais em um país onde, na sua avaliação, há repressão violenta e controle do Judiciário.

“É piada achar que fazer oposição vai resgatar a democracia naquele país”, declarou.

O debate avançou ainda para o cenário político brasileiro. Em um trecho do vídeo divulgado, Ramos comparou a situação venezuelana com o período da ditadura militar no Brasil e afirmou que, mesmo diante de governos autoritários, não se deve pedir a invasão de outro país para destituir um governante. Ele também afirmou que setores que hoje defendem intervenção externa tentaram fazer o mesmo no Brasil, sem sucesso.

“As vezes até a gente radicaliza a luta contra o governo, como os brasileiros fizeram contra a ditadura militar. Mas a gente não pede que outro país invada o nosso para destituir o governo que nós discordamos. Agora essa gente que está defendendo isso, é a gente que tentou fazer isso com o Brasil. E não fez porque o Lula é muito maior do que o Maduro”, comentou. 

Costa e Silva comentou a fala de Ramos, em tom de deboche. Ao ironizar a postura do presidente Lula em relação ao governo venezuelano, o delegado afirmou que o petista teria “estendido o tapete vermelho” ao presidente Nicolás Maduro durante visita ao Brasil, há cerca de dois anos.

Segundo ele, a recepção incluiu honras militares, o que classificou como um ato de submissão e falta de dignidade. Costa e Silva ainda mencionou a divulgação de imagens do episódio, sugerindo que o público relembrasse a cena citada.

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