(Foto: Ricardo Stuckert /PR)
Manaus (AM) – O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) afirmou, nesta terça-feira (14), que a Direção Nacional do PT defende sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, em substituição ao projeto de disputar uma vaga no Senado. Segundo ele, o entendimento foi apresentado durante uma reunião realizada na sexta-feira (10), após o surgimento de especulações sobre seu futuro político.
Ele disse que pretendia se manifestar apenas após retornar a Manaus, para ter tempo de refletir, conversar com a família, com a militância do PT e com pessoas importantes em sua tomada de decisão. No entanto, afirmou que as especulações divulgadas pela imprensa e por participantes do processo político o levaram a antecipar um posicionamento público.
Marcelo iniciou sua manifestação afirmando que toda a repercussão começou após um blog publicar, na sexta-feira pela manhã, uma nota informando que ele deixaria de ser pré-candidato ao Senado para assumir a coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, essa informação nunca foi discutida.
“Eu preciso dizer de pronto que ninguém, nunca, jamais, em momento algum, conversou comigo sobre ser coordenador da campanha do presidente Lula”, disse.
Ainda de acordo com Marcelo, na tarde do mesmo dia ele foi chamado para uma reunião com a Direção Nacional do PT. Na ocasião, afirmou ter sido informado de que o entendimento da direção era que ele disputasse uma vaga de deputado federal para contribuir com o quociente eleitoral e ajudar o partido a voltar à Câmara dos Deputados.
Segundo seu relato, essa avaliação também foi apresentada em razão de um pedido atribuído ao senador Eduardo Braga. Marcelo afirmou que lhe foi dito que Braga entendia que sua candidatura ao Senado poderia prejudicar sua própria disputa e favorecer a eleição de dois senadores de oposição ao presidente Lula.
Diante desse cenário, Marcelo disse ter apresentado quatro ponderações à direção nacional, sendo duas de natureza eleitoral e duas de natureza política.
No aspecto eleitoral, afirmou que a eleição para o Senado permite ao eleitor votar em dois candidatos. Na avaliação dele, uma única candidatura alinhada ao presidente Lula deixaria parte do eleitorado diante de uma escolha difícil no segundo voto.
“Imagine a angústia do eleitor do presidente Lula que vai sair de casa para votar no senador Eduardo Braga e terá que escolher no segundo voto Alberto Neto, Plínio Valério e Wilson Nimo, anular o voto. É uma maldade com o eleitor. Numa eleição de dois votos, duas candidaturas do mesmo campo, pelo contrário, elas se ajudam”, afirmou.
Marcelo também argumentou que sua pré-candidatura era eleitoralmente viável e ocupava um espaço político identificado com a esquerda e com o presidente Lula.
Segundo ele, sua candidatura não tinha apenas o objetivo de marcar posição, mas reunia condições de competitividade por iniciar a disputa com um bom índice de intenções de voto e representar um campo político alinhado ao presidente, que, segundo afirmou, possui força no Amazonas, especialmente no interior, mas também na capital.
No campo político, Marcelo disse ter defendido que o PT deveria apresentar uma alternativa progressista na disputa pelo Senado. Também afirmou considerar importante que houvesse uma candidatura comprometida com a defesa do legado do governo Lula e com o enfrentamento ao bolsonarismo.
Apesar desses argumentos, afirmou que a Direção Nacional do partido já demonstrava uma convicção ou tendência consolidada sobre o assunto. “Isso faz com que eu tenha um profundo sentimento de frustração. E até certa indignação”, declarou.
Mesmo assim, Marcelo declarou que esses sentimentos precisam ser menores do que sua responsabilidade com o projeto político liderado pelo presidente Lula e com o futuro do país. Segundo ele, sua decisão deverá considerar esse compromisso, já que entende que o projeto do presidente é o melhor para o Brasil e para o Amazonas.
Marcelo afirmou que, diante da posição da Direção Nacional do PT, restam poucas alternativas. A primeira seria insistir na pré-candidatura ao Senado, mesmo sabendo que a direção nacional possui a palavra final sobre as candidaturas majoritárias de 2026. A segunda seria disputar uma vaga de deputado federal, hipótese que classificou como incômoda.
Ele explicou que não se preparou para esse tipo de eleição, afirmou desconhecer seu potencial eleitoral para a Câmara dos Deputados e disse que muitos de seus aliados já assumiram compromissos com outras candidaturas proporcionais.
A terceira possibilidade, segundo Marcelo, seria não disputar nenhum cargo eletivo e permanecer exclusivamente na atividade profissional que desenvolve desde o fim de seu mandato, em 2022.
Apesar disso, afirmou que não pode ignorar as manifestações de apoio, confiança e incentivo que recebeu de apoiadores.
Marcelo informou que retornará a Manaus para conversar com familiares, amigos próximos, militantes do PT e pessoas que considera importantes em sua tomada de decisão. Segundo ele, a escolha deverá conciliar sua responsabilidade com o povo do Amazonas e seu conforto pessoal e familiar.
Ao encerrar a manifestação, afirmou que não depende de mandato eletivo nem de cargo público e disse buscar apenas uma decisão que lhe permita manter a consciência tranquila e viver em paz. Também pediu orações, manifestações e comentários das pessoas que acompanham sua trajetória para auxiliá-lo na definição dos próximos passos de sua vida política.
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