A disputa por território entre facções criminosas que comandam o tráfico de drogas em Manaus chegou a um dos bairros mais tradicionais da cidade, o Parque Dez, na zona Centro-Sul, na divisa com o Bairro da União, em uma área verde, conhecida como ‘Buritizal”. A região fica entre a comunidade da União, oriunda de uma invasão em 2005, e um condomínio de casas.
O local é apontado como uma espécie de “Tribunal do Crime”, pela Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP). A suspeita é resultado de uma investigação da Operação Bertillon, que iniciou nesta quinta-feira, 25, e atua na coleta de provas pela polícia científica na mesma área onde a polícia já desmontou um observatório utilizado por traficantes e encontrou corpos enterrados.
Moradores entrevistados pelo Portal Amazonas1 confirmaram que há quase um ano é comum se ouvir gritos e tiros, durante a madrugada, principalmente, nos fins de semana, gerando pânico nas famílias que vivem no local. Há dois meses, o corpo de um homem foi encontrado sem cabeça na mesma área, pelos próprios moradores que acionaram a polícia.

Perita investiga material encontrado na área que faz divisa com o Parque Dez (Assessoria de Imprensa)
Durante as buscas de agentes da Seaop, desta quinta-feira, foram encontradas ossada humana e tufos de cabelos que podem ser de corpos encontrados no local ou de novas vítimas. Os policiais também localizaram objetos que, possivelmente, seriam utilizados em ações criminosas. Todo o material foi colhido e armazenado por peritos do Departamento de Polícia Técnico Científica (DPTC) para análise.
O secretário executivo adjunto de Operações Seaop, Guilherme Torres, explica que o objetivo é extrair vestígios de homicídios que aconteceram no local para, posteriormente, identificar e prender os responsáveis pelos crimes. “Executamos a operação no sentido de isolar a área de modo a colher todo tipo de prova disponíveis e assim chegarmos aos autores e municiar o Ministério Público de autoria e materialidade”, disse.

Material coletado por agentes da SSP durante investigação no Parque Dez (Assessoria de Imprensa)
Ele disse ainda que foram encontrados tufos de cabelo, fios e roupas rasgadas. “Farto material já foi colhido, incluindo tufos de cabelo humano, fios usados para amarrar as vítimas, roupas rasgadas, garrafas e digitais. Todo o material foi apreendido e encaminhado à análise pericial para confrontar com os demais elementos do inquérito policial, que corre em sigilo. Registre-se também que o observatório foi destruído, a casa derrubada e queimada, bem como as covas vedadas”, explicou Torres. Cães farejadores também foram utilizados na operação.
Operação conjunta
A ação foi determinada pelo Secretário de Segurança Pública, Coronel Amadeu Soares, e faz parte da política do Governo do Estado de enfrentamento ao crime organizado. A operação policial reuniu servidores de diversos setores da Polícia como Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), Delegacia Especializada de Ordem Política (DEOPS), 23° Distrito Integrado de Polícia (23° DIP), Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), Companhia Independente de Policiamento com Cães da Polícia Militar (CIPCÃES) e Departamento de Polícia Técnico Científica (DPTC).
Na operação, a perita criminal Laura Bernardes ressaltou que a perícia busca vestígios que possam ter impressões digitais e material biológico para possível identificação de autoria do crime. “O DNA é muito importante porque a gente consegue ver muito material que, a olho nu, você não consegue. Inclusive, poderemos identificar vítimas que a gente nem sabe que estão desaparecidas porque não tem boletim de ocorrência”, completou.
De setembro para cá, a polícia já encontrou dois corpos femininos na área do Buritizal. Eles estavam em covas rasas. Na área, os policiais também identificaram outras covas preparadas, rotas de fuga e a existência observatórios que eram utilizados para os criminosos monitorarem a chegada da Polícia.
(*) Com informações da Assessoria de Imprensa





