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O cenário econômico do país encontra-se cada vez pior em diversos seguimentos. Foi divulgado, nesta quinta-feira (18), que o percentual de famílias endividadas (com dívidas em atraso ou não), no Brasil, chegou a 66,5% em janeiro deste ano, ficando acima das taxas de dezembro de 2020 (66,3%) e de janeiro daquele ano (65,3%).
Os dados são da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Mesmo sem dados regionais, o Portal AM1 procurou especialistas para comentar sobre esse cenário no Amazonas. De acordo com o economista amazonense Orígenes Martins Júnior, a inadimplência não é um problema econômico novo para o brasileiro, tampouco para o amazonense.
“Um dos problemas que a sociedade vem passando, há um bom tempo, e já aumentou durante a pandemia, é a questão da inadimplência. O Amazonas, durante o período de 2020, teve várias oscilações, diminuindo a inadimplência da população em relação a outros estados. Mas, no final de 2020, voltou a ter um crescimento”, disse.
Para ele, esse aumento de dívidas está diretamente relacionado às festas de final de ano em 2020 – momento em que muitas pessoas têm o costume de comprar roupas e presentes para familiares e amigos.
“Essa questão da inadimplência, que é o endividamento das pessoas, ela tem uma explicação que a economia coloca como sendo uma espécie de compulsão para compras durante determinados períodos do ano – que é o que chamamos de ‘sazonal’. Um deles é o Natal e o Ano Novo. Se falou muito e se pediu muito para as pessoas não comprarem presentes de Natal, evitarem gastos desnecessários, até porque, a pandemia trouxe essa sensação de dúvida, com as pessoas sem emprego, a renda baixa, muitos sem renda”, explicou.
Compras no crédito
As compras compulsivas, mesmo diante da pandemia, segundo Orígenes Martins, continuaram a todo vapor. De acordo com o economista, as pessoas não se conscientizaram de que o momento atual é inesperado. Quando o auxílio emergencial do governo federal veio ao fim, muitas pessoas apelaram para compras no cartão de crédito que, segundo ele, possui o juro mais alto que existe.
“E, por parte do governo, que estava com o auxílio emergencial, esse auxílio tinha um momento determinado que ia parar. Mesmo assim, muita gente não ouviu esses pedidos e o consumo das pessoas foi bastante alto. Aí, as pessoas apelaram para o crédito, usando o mais caro que é o cartão de crédito. Usam o cartão de crédito e não pensam que esse juros é o mais alto que existe. E a pessoa quando usa o cartão de crédito não sabe, nesse quadro em que vivemos, quando ela vai ter condições de pagar”, disse o economista.
Contexto econômico
Além das compras de final de ano, outra questão que pode estar relacionada ao aumento de dívidas entre os brasileiros, segundo o professor e conselheiro no Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), o economista Francisco Mourão Jr, é o próprio contexto econômico mundial, em que se tem crescimento no número de desemprego, inflação e dólar em alta.
Na semana passada, a Associação de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel) anunciou a demissão de 10 mil funcionários. O fechamento do comércio não essencial no Amazonas, desde dezembro do ano passado, é o principal fator.
“Quando vemos essa questão do crescimento desse endividamento, podemos levar em consideração o momento como a economia se encontra. Num momento de pandemia, com grandes números de desempregados, inflação 4,56 e uma taxa selic de 2. As próprias incertezas do mercado e a disparada do dólar, que não é só aqui no Brasil, como também no mundo todo, provocando uma desvalorização do real, isso tudo causa… a própria questão do lockdown, que força a paralisação da economia, também causa o aumento do endividamento. E isso tudo é mostrado por essa pesquisa”, disse.
Auxílios
O auxílio emergencial do governo federal chegou ao fim em dezembro do ano passado e pagou cerca de R$ 4,4 bilhões aos amazonenses. Agora, em fevereiro, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas anunciaram mais dois benefícios para a população: o Auxílio Manauara, no valor de R$ 200 a ser pago por seis meses; e o Auxílio Estadual, também no valor de R$ 200, para três meses.
“A prefeitura prometeu um auxílio emergencial, mas agora que está terminando o período de cadastro e agora que vai começar a pagar. O governo federal está pensando no auxílio também, mas tem as questões legais. O congresso tem que aprovar. Eu vou gastar, eu vou consumir, me endividar sem ter a certeza de que vou ter dinheiro para pagar? Então, com isso, as pessoas vão se endividando e não vão tendo condições de pagar e vai aumentando o índice de inadimplência. Esse é um contexto que ocorre no Brasil e não é diferente aqui no Amazonas”, disse Orígenes Martins.
Para o economista Francisco Mourão, o benefício pode ajudar, mas ainda não é o suficiente. O ideal é a união entre o governo federal, estadual e municipal.
“A própria ajuda do Estado e, também, da prefeitura, vai poder amenizar. Mas, eu não garanto que isso vai ser muito. Teria que ter uma união entre governo federal, Estado e prefeituras… Isso já foi comprovado na última crise de 2008, que não pode deixar a crise ficar mais aguda. Então, a partir do momento que você cria renda, a pessoa consome, e a economia gira. E nesse girar, ela evita o que está acontecendo – que é o aumento do endividamento”, finalizou.





