(Foto: Divulgação /Ciesa e Divulgação /Redes Sociais)
Manaus (AM) – O embate público entre o empresário Waldery Areosa e a empresária Maria do Carmo Seffair, reitora da Fametro e pré-candidata ao Governo do Amazonas, ganhou mais um capítulo após a divulgação das notas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), do Ministério da Educação (MEC).
O curso de Medicina da Fametro recebeu nota 1 na avaliação, resultado que foi duramente criticado por Waldery Areosa e prontamente contestado pela instituição.
Dono do Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA) e do Centro Educacional – (Século), além de fundador da antiga Instituição de Ensino Superior Uninorte, Waldery Areosa afirmou que o desempenho era “esperado” e que o resultado reflete falhas estruturais e pedagógicas dos cursos de Medicina oferecidos em Manaus.
Segundo ele, a ausência de hospitais próprios para aulas práticas compromete a formação dos estudantes e evidencia uma crise no ensino superior privado.
“Medicina sem hospital não funciona. Não se ensina medicina apenas em sala de aula. Esses alunos são jogados à noite em hospitais, jovens, sem estrutura adequada. Isso é perigoso e o resultado está aí”, afirmou o empresário, acrescentando que a nota 1, em uma escala de 1 a 5, ainda teria sido “alta demais”.
Waldery Areosa também criticou os altos valores cobrados pelas faculdades de Medicina no Amazonas, que chegam a cerca de R$ 10 mil por mês. Para ele, o custo não se traduz em qualidade. Em comparação, citou cursos no exterior, como na Bolívia, onde as mensalidades seriam significativamente mais baixas.
“Qualidade ruim por qualidade ruim, aqui o aluno gasta quase um milhão de reais ao final do curso”, declarou.
Em tom provocativo, o empresário ainda previu dificuldades de inserção desses profissionais no mercado de trabalho.
“Vai acontecer o que já acontece com advogados que não passam na OAB. Vai aumentar a concorrência no Uber. Médicos formados que não vão passar no exame da ordem da medicina”, disse Waldery Areosa.
Outro ponto levantado pelo empresário foi o modelo financeiro das instituições privadas. Segundo ele, as altas mensalidades dos cursos de Medicina acabam sustentando a estrutura geral das faculdades, enquanto outros cursos, com mensalidades mais baixas, não receberiam investimentos adequados.
“Imagina o resultado de direito, administração e contabilidade, se o aluno de medicina, pagando 10 mil reais, sai com esse desempenho”, criticou.
Histórico de embates em 2024
As trocas de farpas entre os dois não são recentes. Em janeiro de 2024, durante o lançamento do novo Centro Integrado de Ensino Superior (Ciesa), Waldery Areosa a criticou as instituições de ensino médio e superior de Manaus. Na ocasião, atribuiu a queda da qualidade educacional à sua saída do setor, após a venda da Uninorte para a Laureate Education, em 2008.
“Depois que vendemos a Uninorte, o ensino em Manaus degringolou. Quem entrou não era do ramo, veio atrás de dinheiro”, afirmou.
O empresário também questionou políticas públicas voltadas ao ensino médio e afirmou na época, supostas distorções nos valores cobrados por universidades em programas como Fies, Prouni e Bolsa Universidade. Segundo ele, estudantes estariam assumindo dívidas maiores do que o valor real dos cursos.
As declarações provocaram reação negativa entre instituições de ensino e reforçaram o clima de tensão no setor educacional local.
Em resposta às críticas, Maria do Carmo Seffair destacou que o Índice Geral de Cursos (IGC) da que a Fametro era nota 4 há seis anos consecutivos, o que, segundo ela, comprovava a evolução da qualidade do ensino oferecido.
“A Fametro saiu de índices pífios e hoje é referência, sendo inclusive alvo de propostas de grandes grupos educacionais, entre eles o mesmo que adquiriu a Uninorte”, afirmou Maria do Carmo em suas redes sociais, classificando as declarações de Waldery Areosa como desleais no ambiente de livre concorrência.
Ela também ressaltou na época, que alunos da primeira turma de Medicina da Fametro, tinham obtido aprovações em programas de residência médica em diversas regiões do país, o que, segundo a reitora, contradizia as acusações.
Disputa educacional com reflexos políticos
O confronto entre Waldery Areosa e Maria do Carmo Seffair ultrapassa o campo educacional e se insere no cenário político do Amazonas, especialmente diante da pré-candidatura da reitora ao governo do Estado.
O debate segue aberto e promete novos desdobramentos, colocando em evidência a qualidade da formação acadêmica, a regulação do setor educacional e seus impactos diretos no futuro profissional dos estudantes amazonenses.
Confira o vídeo de Waldery Areosa :
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