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Chalita, ex-secretário de Haddad integra equipe de transição de novo governo do Amazonas

Ex-secretário de Educação de São Paulo nos governos do PT e do PSDB, o advogado Gabriel Chalita, que já foi do MDB e, há dois anos, está no PDT, do governador Amazonino Mendes, integra a equipe de transição da nova administração estadual de Wilson Lima (PSC). Jornalista por formação, Wilson nunca ocupou cargo de gestor púbico. 

O nome de Chalita foi confirmado pelo governador eleito nesta terça-feira, 30, em coletiva à imprensa, mas o histórico polêmico do advogado foi omitido pela mídia tradicional. Ele vai atuar no levantamento de informações contábeis e administrativas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), pasta que tem um orçamento anual de mais de R$ 2,2 bilhões.

Segundo matéria do jornal Estado de São Paulo, do dia 23 de setembro do ano passado, as investigações da Polícia Federal (PF), no âmbito da operação Lava Jato, apontaram que Chalita recebeu R$ 5,4 milhões, em 2012, em um esquema denominado de “Quadrilhão do PMDB,” atual MDB. Na época, o advogado era emedebista, considerado “pupilo” do então vice-presidente da República, Michel Temer, e concorria à Prefeitura de São Paulo, ficando em 4º. lugar.

No relatório que embasou a última denúncia do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o ‘Quadrilhão do PMDB’, a Polícia Federal usou notas fiscais, planilhas e registros de voo do helicóptero do doleiro Lúcio Funaro para detalhar o capítulo “Pagamentos Realizados a pedido de Michel Temer  para Gabriel Chalita.

O inquérito da PF descobriu uma planilha com todos os registros encontrados em HDs do corretor que demonstram supostos repasses a Chalita. “Verificou-se nas planilhas de Lúcio Bolonha Funaro que os valores repassados para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura da cidade de São Paulo do ano de 2012 em atendimento a solicitação do então vice-presidente Michel Temer e de Eduardo Cunha, se estenderam entre os anos de 2012 a 2013, totalizando o montante de R$ 5.460.000,00”, afirma o relatório policial.

Atualmente, as denúncias contra Chalita integram o processo da Lava Jato que está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).  Procurados sobre o inquérito da PF, o advogado e Michel Temer negaram as acusações ao jornal Estado de São Paulo. Por meio de sua assessoria, o presidente disse que não ajudou na campanha de Chalita, e o advogado afirmou que o recurso de sua campanha. em 2012, é oriundo do fundo nacional do MDB.

Denúncia na Educação

O Ministério Público de São Paulo denunciou  Gabriel Chalita por crime de corrupção no período em que ele foi secretário estadual da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB), de 2002 a 2005. Na época da denúncia, ele era secretário municipal de Educação do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). A informação foi publicada em vários jornais paulistas, entre eles a Folha de São Paulo, em 18 de dezembro de 2015.

Segundo a Folha, os promotores concluíram que empresas fornecedoras assinavam contratos superfaturados com a pasta estadual da Educação em troca de pagamento de propina para Chalita. A “prova mais contundente”, de acordo com o MP, foi a reforma de uma cobertura adquirida por Chalita, em 2005, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, que teria sido paga por empresas contratadas pela secretaria.

Na ocasião da denúncia, a advogada de Chalita informou que “muito embora não tenha tido acesso aos termos da denúncia, a defesa de Gabriel Chalita repudiava, de forma veemente, a tentativa do MP de requentar fatos já investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).” 

Carreira em Hollywood

Após a derrota nas  eleições municipais de 2016, quando concorreu como vice na chapa à reeleição do ex-prefeito Fernando Haddad, em São Paulo, Gabriel Chalita disse que ia tentar uma carreira em Hollywood, nos Estados Unidos, porque “estava descontente e desacreditado da política”, segundo matéria do Jornal O Globo, do 13 de março de 2017.  

No ano passado, ele assinou um contrato sigiloso com Stan Lee, o criador de super heróis lendários como homem-aranha e X-men e ex-diretor da Marvel. O plano era criar uma história semelhante a do clássico infantil “O Rei Leão”, mas ambientada na Amazônia, para ser lançado em formato de quadrinhos e animação.   

Ao buscar uma nova carreira, o advogado disse que ia desistir da política, “porque tinha muito a perder”. “Imagina se surge um dossiê contra mim, o pai nunca mais deixa o filho ler um livro meu. Os professores são desconfiados, nunca mais vão a uma palestra minha. Tenho muito a perder na política”, afirmou Chalita que, segundo O Globo, recebe, em média, R$ 30 mil por palestras.  

Para compor a equipe de transição do governo do Amazonas, Gabriel Chalita não teve sua remuneração revelada por Wilson Lima. Além do advogado, participam do grupo de transição, o  ex-secretário de Saúde de São Paulo David Uip, o cientista social, também de São Paulo, Humberto Laudares,  o general da reserva do Exército Brasileiro Franklimberg de Freitas, o vice-governador do Estado, Carlos Almeida (PRTB) e o deputado estadual Luiz Castro (Rede).   A equipe será coordenada por Laudares.

 

(*) Com informações das Agências de Notícias / Editado por Paula Litaiff

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