(Fotos: Divulgação/Instagram e Depositphotos)
Manaus (AM) – O cientista político Helso Ribeiro disse em entrevista ao Portal AM1 que a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, representa um precedente perigoso para a América Latina.
Segundo Ribeiro, o episódio levanta muitas interrogações sobre soberania e intervenção externa. “Nesse momento está cheio de muitas interrogações? Falei com a deputada venezuelana, e ela reverberou isso: muita instabilidade local, muita insegurança”, afirmou.
O especialista destacou que, independentemente da avaliação sobre o governo de Maduro, não se pode aplaudir um país invadir outro e capturar seu líder. “Lembro que em 2006 os Estados Unidos invadiram o Iraque e mataram Saddam Hussein. Alegaram armas de destruição em massa que nunca foram encontradas. O país virou um pandemônio”, explicou.
Ribeiro ainda citou o caso da Líbia, afirmando que intervenções externas em países ricos em petróleo muitas vezes ignoram a população local.
“O ditador líbio Muamar Kadafi foi capturado com apoio da França, dos Estados Unidos e da Inglaterra. A Líbia tinha o melhor IDH da África; hoje é um país em colapso. Em nome de interesses econômicos, decisões são tomadas sem consulta à população. Isso é um precedente muito perigoso”, disse.
Ele lembrou que a Venezuela teve tradição democrática no século 20 antes do chavismo. “Não concordo com Maduro, mas isso não me faz aplaudir que qualquer país entre em outro, pegue o presidente e instale o que acha correto. A melhor solução é sempre interna, cada país resolvendo seus próprios problemas com soberania”, reforçou.
Ribeiro também criticou o enfraquecimento de organismos internacionais diante da ação. “Diria que a ONU, a própria OEA, saem fragilizados. Foi uma ação pessoal dos Estados Unidos, na verdade do Trump, de capturar um desafeto. Comparar o poderio militar e econômico dos EUA com qualquer outro país da região mostra o fosso ainda maior entre os países da América Latina”, afirmou.
Ele destacou que, embora muitos se alegrem com a queda de Maduro, a defesa da soberania deve prevalecer. “Pessoas que odeiam Maduro vibram, mas qualquer pessoa sensata que defenda a soberania dos países não pode aplaudir uma atitude dessas”, concluiu Helso Ribeiro.
Questionado sobre os possíveis impactos do ataque para o Brasil, o especialista afirmou que a Venezuela enfrenta uma crise profunda que se arrasta há décadas. Com a captura do presidente, segundo ele, é provável que haja um aumento no fluxo de migrantes venezuelanos em direção ao Brasil.
“Nosso país é o terceiro que mais recebe venezuelanos, e temos uma fronteira extensa com a Venezuela, com mais de 2 mil quilômetros”, declarou.
Captura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante um ataque em larga escala que teria atingido Caracas e outras cidades venezuelanas. Trump também afirmou que os Estados Unidos irão assumir temporariamente a administração da Venezuela, até que, segundo ele, haja uma transição considerada segura. Maduro e a esposa serão julgados em tribunais de justiça dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela procuradora-geral estadunidense, Pamela Bondi.
O episódio gerou repercussão internacional e reações divergentes, enquanto autoridades venezuelanas classificaram a ação como uma violação da soberania do país. Até o momento, Trump não detalhou quanto tempo os EUA pretendem manter o controle administrativo nem quais serão os próximos passos do processo de transição.
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