Manaus, 8 de julho de 2026
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Manaus, 8 de julho de 2026

Cenário

Especialistas alertam para o extremismo político no dia das eleições

Os posicionamentos extremistas de eleitores em todo o país têm chamado atenção de especialistas nas áreas da sociologia, psiquiatria e outras que estudam o comportamento humano. As manifestações de ódio, violência e até idolatria têm tomado conta das redes sociais. Os estudiosos alertam sobre as consequências do extremismo político no dia das eleições gerais que ocorrem neste domingo, 7.

Rodrigo Amorim e Daniel Silveira arrancam uma placa feita em homenagem à vereadora Marielle Franco (Reprodução)

Regional

No Amazonas, causou ojeriza os comentários de internautas em apoio aos aliados do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), que arrancam uma placa em homenagem à  vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), com histórico de defesa dos Direitos Humanos, assassinada por membros de milícias. 

Esse foi o caso de uma internauta que disse “Essa (Marielle Franco) já está no inferno. Para que homenageá-la?”; outro comentário culpa o Partido dos Trabalhadores (PT) pela crítica feita a atitude dos aliados de Bolsonaro: “Começou a baderna pra colocar a culpa nos outros. Isso é típico dos petralhas. Voto 17 e ponto final”; um internauta defende que a placa não deveria existir: “E tá errado p****? A rua nem existia kkkkkkkk”. 

 

Situação preocupa

Na opinião do sociólogo e cientista político, Carlos Santiago, a situação é extremamente lamentável e preocupante e a demonstração de que pessoas com esse tipo de atitude não servem para representar a sociedade, já que não tem condição emocional para enfrentar o embate da vida pública. 

“Isso é agredir a memória e o pior, agridem àqueles que pensam ao contrário de seus princípios. Essas atitudes demonstram que eles não respeitam os princípios básicos da democracia que é respeitar os diferentes, os pensamentos autônomos e acima de tudo respeitar a sociedade, os direitos humanos, a dignidade. Só na democracia somos capazes de sobreviver, fora da democracia não há convivência, debates, soluções, uma vez que fora dela existe o arbítrio e isso a sociedade não aceita mais”, comentou Santiago.

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A historiadora Jazine Souza disse que uma das principais causas do extremismo político é a falta de informação sobre o passado de uma nação. Ela afirmou que ver jovens brasileiros defendendo a volta da Ditadura Militar de 1964 e negarem o holocausto na Alemanha apontam para o total desconhecimento sobre História. “Recentemente, a embaixada alemã tentou explicar para aos brasileiros em um vídeo didático sobre a morte de milhares de judeus, e os internautas continuaram com suas convicções”, lamentou. 

Um especialista em psiquiatria do Amazonas disse que as pessoas estão com uma visão muito emotiva sobre eleições e o momento é muito politizado para entrar na discussão, acrescentando que se vive um período “conturbado” em virtude da grande decepção com as administrações públicas anteriores. 

Ideologia de direita

O candidato a deputado estadual pelo PSL no Amazonas, Delegado Péricles, disse que Jair Bolsonaro tem histórico de ser rotulado pela imprensa nacional e por alguns partidos de ser extremista, intolerante e que incita a violência e defendeu que o no caso recente do atentado que ele sofreu haviam policiais ao redor e que não fizeram nada relacionado a violência, apenas mobilizaram e entregaram o suspeito as autoridades.  

Sobre o episódio da placa, o candidato afirmou que em qualquer situação existem pessoas que excedem e que com certeza o candidato à presidência do PSL é contra essa atitude. Ele acrescentou que o grupo tem lutado para mudar esse pensamento de “extrema direita”, que querem o bem para o Amazonas e Brasil, acabando com a velha política e o sistema de corrupção instalado no país.

Ideologia de esquerda

Na opinião do atual deputado estadual e candidato a deputado federal, José Ricardo (PT), o embate político de idéias, projetos e propostas é o caminho, e não a agressão. “Qualquer discurso que gere violência não vai ajudar em nada, não podemos desejar a morte de ninguém, temos direitos que valem para todos, negro, branco indígena. Quem é violento acaba sendo vítima da própria violência”, frisou José Ricardo.

O deputado também explicou que apoia o presidenciável Fernando Hadadd (PT) por defender a educação, defender que uma criança tenha acesso a pegar um livro, uma caneta, um lápis, tenha acesso a educação e não a outros instrumentos que não enalteçam o caminho da educação e do respeito a vida.

Centro

De um partido que se autodenomina de “centro”, a candidata à reeleição,  deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB), afirma que o clima pesado na política tira o foco dos grandes temas que o país precisa discutir. E que em muitas cidades do interior do estado, o debate é outro, referindo-se à carência de serviços básicos nas comunidades ribeirinhas. 

“Nos municípios do interior do Amazonas, não há briga em rede social. Aliás, nessa região, o debate é outro: faltam serviços como energia elétrica, água encanada, saneamento, telefonia, internet, escola de qualidade, saúde, segurança e principalmente investimentos na educação. Esse é o grande debate que está esquecido, enquanto as pessoas praticamente se matam nas redes sociais”, concluiu a deputada.