Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Ex-prefeito de Borba diz ter sido alvo de atentado após explosão de lancha no interior do AM

O ex-gestor teve 30% do corpo queimado em explosão em dezembro e afirma que a lancha pode ter sido sabotada.

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Ex-prefeito de Borba, Simão Peixoto (Foto: Divulgação/Instagram @oficialsimaopeixoto)

Borba (AM) – O ex-prefeito do município de Borba, Simão Peixoto, afirmou que a explosão de uma lancha que o deixou com cerca de 30% do corpo queimado pode ter sido resultado de um atentado premeditado. O acidente ocorreu na madrugada do dia 23 de dezembro, no interior do Amazonas, e inicialmente foi tratado como um acidente náutico. As declarações foram dadas em entrevista ao Portal CM7 no último sábado (07), na primeira aparição pública do ex-gestor após 46 dias de reclusão médica.

Segundo Simão Peixoto, a explosão aconteceu no momento em que ele deu a partida na embarcação, uma lancha de grande porte adquirida há menos de um mês. No local estavam ele e mais quatro pessoas. O ex-prefeito relatou que havia abastecido o veículo e que o tanque estava com aproximadamente 480 litros de combustível. Ele contou que, por um “milagre”, os demais ocupantes não estavam próximos a ele no instante da explosão.

“Claramente eu fui alvo de um atentado. Fizeram de propósito para tirar a minha vida, mas existe Deus. Eu não posso provar nem dar nomes aqui, até porque não tenho um laudo pericial conclusivo. Era uma lancha nova. Desde criança eu ando de lancha, tenho 43 anos de idade, uma vasta experiência na vida pública, sou ribeirinho nato e conheço toda a realidade, da canoa ao expresso, do barco à lancha”, afirmou.

Apesar de afirmar não ter laudo pericial conclusivo acerca de um eventual atentado, o ex-prefeito disse ter percebido irregularidades após o acidente. De acordo com ele, a braçadeira do tanque que liga ao motor teria sido afrouxada, provocando vazamento de gasolina. Além disso, afirmou que as duas baterias da embarcação, uma responsável pelo funcionamento do motor e outra pelas luzes de navegação, estavam com os polos frouxos.

“Afrouxaram a braçadeira do tanque que liga ao motor, e a gasolina ficou pingando e escorrendo. Depois da perícia, ficou a impressão de que usaram uma chave para afrouxar. A lancha tem duas baterias: uma para o funcionamento do motor e outra para as luzes de navegação. Cada bateria tem dois polos, e eles afrouxaram os quatro, deixando-os semiapertados. Esses polos precisam estar bem apertados, porque, se não estiverem, podem gerar centelha. Isso foi feito de forma proposital, justamente para acabar com a minha vida. No momento em que dei a partida, veio a explosão”, declarou.

Ele disse ainda que, ao entrar na embarcação, notou algumas diferenças em relação a como a lancha havia sido deixada anteriormente, mas não chegou a verificar a bateria e a mangueira de combustível com mais atenção. Simão relatou que chegou a sentir cheiro de gasolina, mas imaginou que fosse resquício do abastecimento recente.

“Quando entrei na lancha, encontrei algumas coisas diferentes de como a tínhamos deixado. Não tinha nem um mês que eu havia comprado a embarcação, mas não tive a expertise de verificar com atenção a bateria e a mangueira, que estava frouxa. Senti um odor de gasolina, mas imaginei que, no momento em que tinha abastecido, poderia ter pingado ou escorrido um pouco ali. Fizeram aquela maldade, com certeza por inveja. Eu não entendo o tamanho da maldade de alguém que tenta tirar a vida de outra pessoa por meio de uma armadilha, de um acidente provocado, para atrapalhar um sonho de vida”, contou.

No momento do acidente, o ex-prefeito participava de uma ação solidária na zona rural do município, com distribuição de brinquedos e cestas básicas em uma programação de Natal realizada há cerca de 25 anos. A explosão ocorreu por volta de meia-noite, quando o grupo se preparava para sair em mais uma entrega.

“Eu já faço essa programação há quase 25 anos. Estava na zona rural, quase meia-noite, entregando brinquedos e cestas básicas no que chamamos de Natal Solidário. E, graças a Deus, mesmo com o acidente, com o atentado e tudo o que tentaram fazer contra mim, conseguimos entregar as doações, não do jeito que esperávamos, mas conseguimos”, afirmou.

Após a explosão, Simão Peixoto disse ter sido arremessado para fora da embarcação e não se lembrar de detalhes imediatos do ocorrido. Ele afirmou que não pulou na água, mas foi lançado com o impacto da explosão. Quando recuperou a consciência, já estava no meio do rio. O ex-prefeito relatou ainda ter sofrido fortes impactos no peito e nas costas, passando por diversos exames, como ressonâncias, tomografias e raios-x.

Ele foi socorrido inicialmente em Borba e, no dia seguinte, transferido em UTI aérea para Manaus, onde ficou internado por nove dias no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Apesar de afirmar que pode ter desafetos, o ex-prefeito disse não considerar ninguém como inimigo e que não deseja a ninguém o que enfrentou.

“Eu posso até ter inimigos, mas não considero ninguém como inimigo. O que eu passei eu não desejo para ninguém”, declarou durante entrevista.

Após a entrevista, o ex-prefeito também se manifestou nas redes sociais. Em uma publicação no Instagram, ele escreveu:

“Toda verdade vem em partes. Nem toda luta é visível, nem toda injustiça faz barulho. Quem tem propósito não é parado pela maldade das pessoas. A caminhada continua. Aguarde”, relatou.

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