Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Ex-presidente de fundo de pensão da Petrobras é preso na Lava Jato

É a primeira fase da Lava Jato autorizada pela juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba

Os mandados estão sendo cumpridos nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais - (Reprodução /Agência Brasil)

Na 56ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (23), 22 mandados de prisão por desvios na construção da sede da Petrobras, na Bahia.

O prédio, apelidado de Torre Pituba, foi construído com recursos da Petros, fundo de pensão dos funcionários da estatal, com a finalidade de ser alugado pela companhia. Entre os presos estão o ex-presidente da Petros Wagner Pinheiro, que também foi presidente dos Correios, e Valdemir Garreta, ex-dirigente petista e responsável pelo marketing de campanhas eleitorais do partido.

Os mandados estão sendo cumpridos nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (Foto: Reprodução /Agência Brasil)

É a primeira fase da Lava Jato autorizada pela juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. O prédio tem 22 andares, que foram alugados pela Petrobras a partir de 2015. O aluguel mensal era estimado em R$ 5,4 milhões. O contrato com a Petros tem validade de 30 anos, no valor total de R$ 1,4 bilhão, conforme mostrou reportagem da Folha de S.Paulo.

Segundo a PF, os valores (tanto do aluguel quanto da construção) foram superfaturados “para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras e dirigentes da Petros”.

Os desvios chegam a R$ 68 milhões, em valores corrigidos, de acordo com o Ministério Público Federal. Isso representa cerca de 10% do valor da obra -segundo o procurador Deltan Dallagnol, é o maior percentual de propinas já identificado na Lava Jato.

O prédio foi construído pelas empreiteiras OAS e Odebrecht -ambas investigadas na Lava Jato. A operação desta sexta foi batizada de Sem fundos, numa alusão ao “saco sem fundos” de crimes investigados na Lava Jato, segundo a PF.

Os mandados estão sendo cumpridos nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo o procurador Roberson Pozzobon, os crimes ocorreram entre 2009 e 2016. São investigados corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de fundo de pensão e organização criminosa.

OUTRO LADO

Danyelle Galvão, advogada de Garreta, diz que a defesa “não teve acesso aos autos, tampouco aos fundamentos da decisão e que já havia se colocado à disposição para prestar esclarecimentos no início deste ano”.

A defesa de Pinheiro ainda não se manifestou.

*Stelita Hass CArazzai e Wálter Nunes – Curitiba / Folhapress