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Falta de critérios na escolha de representantes abre brecha para falhas no sistema político

Eleitores que votam por ideologias políticas ou por emoção podem abrir espaço para que as eleições fiquem polarizadas entre dois candidatos
Beatriz Araújo – Portal Amazonas1
• Publicado em 10 de outubro de 2021 – 18:00
Foto: Divulgação/TSE

MANAUS, AM – Escolher os nomes que representarão a sociedade brasileira na cúpula do poder estão entre as tarefas mais importantes e sérias que devem ser exercidas pelos eleitores. Porém, a escolha nem sempre é feita de forma responsável. Especialistas afirmam que a falta de critérios na hora de escolher seus representantes nas urnas abre margem para que o sistema político continue falho.

Devido à decepção com o cenário político, a maioria da população vai às urnas somente pela obrigação imposta pelo Estado. Além disso, a sociedade não possui uma base educacional direcionada para estudos políticos, por isso, a falta de critérios na hora do votar é notória quando “velhos políticos” são escolhidos com discursos falhos e eleitoreiros.

O cientista político e diretor presidente da Action Pesquisas de Mercado, Afrânio Soares, analisa que existem dois tipos de eleitor: o que vota por emoção e o que vota por ideologias políticas.

O eleitor que vai às urnas pela emoção geralmente é movido por alguma benfeitoria que o candidato realizou em seu favor ou de sua família, conforme o especialista.

Leia mais: Rejeitados nas urnas, ex-campeões de votos ainda têm chance em 2022?

“O eleitor que vota por emoção é aquele que gosta do candidato ou candidata por um fator específico. Porque cresceu em um meio onde o candidato é bem visto, porque o eleitor ou sua família foi contemplado por algo marcante que aquele candidato fez enquanto estava com mandato ou o meio em que ele convive é voltado para a base de apoio daquele político. O ponto principal, nesse caso, é a afinidade entre eleitor e candidato”, explicou Soares.

Já os eleitores movidos por ideologias políticas buscam votar em candidatos que possuem discursos de militância e que estejam em partidos políticos de direita, esquerda ou centro.

“Esses eleitores vão analisar os candidatos que defendem bandeiras que mais se assemelham às suas pretensões políticas. O eleitor de esquerda vai votar naquele que defende políticas para minorias, já os eleitores de direita vão votar em políticos que defendem políticas conservadoras e, assim, ocorre o voto ideológico”, analisou o especialista.

A falta de critérios e a falta de estudos, entre outros, na hora de escolher os representantes abrem espaço para que as eleições fiquem polarizadas – caso constante no cenário político do Brasil nos últimos anos, conforme mencionou Afrânio.

“Ambos os eleitores abrem espaço para polarização. As duas ondas, emoção e ideologia, acabam dividindo o eleitorado. Porém, isso não significa que todos os eleitores vão votar dessa forma. Mas as ondas eleitorais sempre induzem o eleitor. Por esse fator, na maioria dos cenários, a corrida se resume a dois candidatos, onde a maioria do eleitorado está concentrando votos”, comentou o especialista.

Voto consciente

Um dos discursos mais comuns em época de eleição é o incentivo do eleitor a um “voto consciente”. No entanto, adotar a votação consciente pode ser mais difícil do que é explicado.

Para o cientista político Carlos Santiago, o fator social influencia diretamente na votação – o que dificulta o eleitor de exercer o “voto consciente”.

“Votar com ética é votar com autonomia, sem interesse de ganhar algo para si ou para os seus amigos e sim pelo interesse coletivo, pensando no bem-estar de todos, sem interesse pessoal. Mas no Brasil de hoje, isso é difícil. O país tem uma parcela significativa de pessoas na pobreza e outra no desemprego. Então, a população do país é refém da desesperança e fica presa na escolha de representantes que vão lhe contemplar direta ou indiretamente”, ressaltou.

Com isso, a necessidade da população acaba sendo usada por políticos que buscam alcançar os mandatos pleiteados.

“A distribuição de rancho, promessas de auxílio e casa própria são ferramentas usadas por políticos para conquistar os votos da população que vive em extrema pobreza e, assim, elegemos péssimos políticos para o sistema de poder”, conclui Santiago.

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