(Foto: Reprodução Instagram Garantido e Assessoria Boi Caprichoso)
Manaus (AM) – Os bois-bumbás Garantido e Caprichoso publicaram, nesta segunda-feira (5), manifestações de conteúdo político e social após o primeiro turno das eleições, com destaque para a defesa da Amazônia, dos povos tradicionais, dos trabalhadores e da preservação dos territórios. As duas publicações também fazem referência ao sigilo do voto e afirmam que “o voto é secreto”.
Embora os textos apresentem pautas e referências associadas ao debate político, os bumbás não citam nominalmente candidatos ou partidos nas manifestações reproduzidas nas publicações.
Garantido destaca trabalhadores e povos tradicionais
Com a mensagem “Nossa luta é pelo povo trabalhador brasileiro!”, o Garantido relacionou sua identidade à defesa das comunidades amazônicas e dos trabalhadores.
O bumbá cita em seu posicionamento, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores, pescadores e trabalhadores do campo e da cidade. Além também defesa da demarcação e a proteção de terras e afirma que os povos tradicionais devem ter seus direitos e culturas preservados.
A publicação também destacou a importância da Amazônia para quem vive dela e trouxe a frase “o voto é secreto”. Em outra imagem, o Garantido fez referência às vítimas da pandemia de Covid-19.
Caprichoso reforça identidade amazônica
O Caprichoso publicou a mensagem “O Caprichoso é povo!” e apresentou o bumbá como expressão de diferentes grupos da Amazônia.
Em seu posicionamento, o Caprichoso destacou negros, quilombolas, indígenas, caboclos, ribeirinhos e povos da floresta, reforçando a valorização da identidade e da cultura amazônica por meio das toadas e das apresentações no Bumbódromo.
O texto também defendeu a preservação da floresta e de quem vive nela, afirmando que sua estrela estará ao lado de quem “resiste”, “preserva” e “luta”.
Assim como o Garantido, o Caprichoso usou a frase “o voto é secreto” em uma das artes e fez referência às mais de 700 mil mortes registradas durante a pandemia de Covid-19.
As manifestações apresentam pontos em comum: defesa da Amazônia, valorização dos povos tradicionais, proteção dos territórios, reconhecimento dos trabalhadores e preservação da memória das vítimas da pandemia.
O elemento político aparece justamente na escolha das pautas abordadas pelos dois bumbás, mas não há, nos textos apresentados, um pedido direto de voto em determinado candidato.
Parintins teve vantagem expressiva a Lula no 1° turno
Em Parintins, o contexto eleitoral dá dimensão à repercussão das publicações. O resultado das urnas ajuda a dimensionar o peso político do posicionamento dos bumbás.
Dos 73.020 eleitores aptos em Parintins, 56.691 compareceram às urnas, enquanto 16.329 não votaram, uma abstenção de aproximadamente 22,4%.
Entre os votos contabilizados, Lula alcançou 78,66%, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 17,03%. Os demais candidatos tiveram desempenho residual no município.
O candidato Augusto Cury (Avante) recebeu 1.175 votos (2,11%); Renan Santos (Missão), 778 (1,40%); Ronaldo Caiado (PSD), 408 (0,73%); e os demais candidatos ficaram abaixo de 1%.
As manifestações dos dois principais símbolos culturais de Parintins colocam novamente em evidência a relação entre cultura popular, identidade amazônica e debate político, sem que os bumbás tenham revelado, de forma explícita, a escolha que cada eleitor fará na urna.
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