Aldeias atingidas pela ação dos garimpeiros ilegais (Foto: Cedida ao Portal AM1)
Manaus (AM) – Indígenas do interior do Amazonas denunciaram ao Portal AM1 a atuação de garimpeiros ilegais em territórios próximos aos municípios de São Paulo de Olivença e Amaturá. Segundo os relatos, os invasores não apenas avançaram sobre áreas protegidas, como também ameaçaram lideranças indígenas que tentaram impedir ou denunciar a ação.
De acordo com um indígena residente na região, os garimpeiros iniciaram suas atividades do outro lado do rio, em frente ao município de São Paulo de Olivença, utilizando mais de 30 dragas. Posteriormente, avançaram para a Reserva Indígena sob jurisdição de Amaturá.
Um áudio obtido com exclusividade, pelo Portal AM1, revela que os invasores intimidaram os moradores locais com ameaças de morte e incêndio às aldeias, caso houvesse qualquer denúncia.
“As lideranças foram para lá atuar, pedir pacificamente para se retirar do território, que não era permitido. E os próprios garimpeiros ameaçaram as lideranças locais e os membros da aldeia, que, se eles denunciassem, prometeram de matar e tacar fogo nas aldeias, ameaçando os moradores”, destacou o indígena em áudio obtido pela reportagem.
Além das ameaças, os impactos ambientais e à saúde já são sentidos pelas comunidades. A água utilizada para banho e consumo está contaminada, provocando doenças como coceiras e diarreia. A estiagem agrava ainda mais a situação, concentrando poluentes como mercúrio e diesel despejados pelas máquinas de garimpo.
“E hoje, a água onde eles tomavam banho já está causando doença, porque há muita coceira no corpo, diarreia também. Devido à estiagem que está secando, isso vem prejudicando ainda mais o mercúrio derramado, o diesel usado nas máquinas deles, e a água está ficando bastante poluída, com sujo. E não só rola lá este tipo de química, rola também bebidas alcoólicas e drogas usadas pelos garimpeiros ilegais dentro da reserva indígena”, destacou.
Conforme o áudio enviado para o Portal AM1, uma liderança indígena de uma aldeia localizada em frente à área invadida explicou que a contaminação compromete diretamente a subsistência das comunidades, que dependem do rio para pescar e beber, já que não há acesso à água potável.
“Essa situação vem agravando muitas situações, não só como ameaça, mas prejudicando o meio ambiente e causando doença também para os nossos parentes que estão nessas aldeias, porque é de lá que eles tiram o peixe para se alimentar, é de lá que eles tiram a água para beber, porque não existe água potável nessas aldeias”, destacou.
O ativista climático e socioambiental indígena Edson Kambeba divulgou um ofício ao Portal AM1 reforçando a gravidade da situação. Ele alertou que o uso de maquinário pesado, combustíveis e mercúrio na extração de ouro está poluindo os rios e colocando em risco a saúde, segurança alimentar e a vida das famílias indígenas.
“Já há registros de doenças como coceiras e diarreia. A situação se agravou com as ameaças constantes às lideranças e moradores das aldeias. Os garimpeiros disseram que iriam matar e incendiar as comunidades caso fossem denunciados”, afirmou Kambeba.
O ativista exige a retirada imediata dos invasores, proteção às lideranças ameaçadas e fiscalização rigorosa por parte de órgãos competentes como Ibama, Polícia Federal, Exército e Ministério Público Federal. Ele também pede o monitoramento permanente da região para impedir a retomada das atividades ilegais.
“A situação é urgente e requer providências imediatas. A vida, a saúde e a sobrevivência das nossas comunidades estão diretamente ameaçadas pela continuidade do garimpo ilegal”, concluiu.
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