(Foto: Diego Peres/Secom)
Manaus (AM) – As novas contratações da Companhia Amazonense de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos (CADA) pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) expõem, mais uma vez, a falta de coerência entre o discurso de austeridade do governo Wilson Lima e suas práticas de gasto.
Mesmo em um cenário em que o próprio governador decretou limitação de empenhos e contenção de despesas, o Estado firmou mais de R$ 13,3 milhões em contratos de assessoria, ambos sem licitação, direcionados à estatal comandada por Mércia Nogueira Monteiro.
A CADA, criada para auxiliar o Executivo no desenvolvimento econômico e na mobilização de ativos, tornou-se peça-chave para viabilizar contratações diretas de alto valor, amparadas no art. 75 da Lei 14.133/2021 — um mecanismo legal, mas frequentemente usado como atalho para evitar concorrência pública e diminuir a transparência.
O Diário Oficial de 1º de dezembro de 2025 traz duas portarias assinadas pelo coordenador executivo da UGPE, Marcellus Campêlo, que dispensam licitação e adjudicam diretamente à CADA:
1. *R$ 5.376.380,00* para assessoria na estruturação da concessão da Arena da Amazônia, Arena Amadeu Teixeira e Estádio Carlos Zamith (Portaria nº 369/2025).
2. *R$ 7.983.500,00* para assessoria destinada à estruturação de uma PPP para ampliação e reestruturação do Programa Prato Cheio (Portaria nº 370/2025).
Somados, os contratos chegam a R$ 13.359.880,00, autorizados justamente no período em que o governo afirma ter reduzido drasticamente gastos para “proteger” áreas essenciais.
Vitrine eleitoral
O segundo contrato é particularmente simbólico — e controverso.
O Prato Cheio foi o mote central da campanha de Wilson Lima nas eleições, usado à exaustão em peças publicitárias, programas eleitorais e discursos do governador para reforçar sua narrativa de “governante que cuida das pessoas”.
Agora, ao engatar uma contratação milionária para “ampliar e reestruturar” o programa, justamente no momento em que enfrenta desgaste público e crise fiscal, o governo deixa no ar a suspeita de que a UGPE está sendo usada para pavimentar politicamente o que foi sua principal bandeira eleitoral, garantindo a continuidade do projeto a qualquer custo — inclusive financeiro.
Contenção para uns
Enquanto áreas essenciais enfrentam contenção, atraso de repasses e cortes — da Educação à Saúde —, a UGPE opera à margem da crise, autorizando contratos robustos para assessorias e modelagens teóricas.
É o mesmo governo que diz não ter condições de expandir serviços básicos, mas que consegue mobilizar mais de R$ 13 milhões para análises técnicas, consultorias e planos de concessão.
Embora tenha sido criada com um propósito nobre — promover desenvolvimento econômico e otimizar recursos estaduais —, a CADA tornou-se um instrumento recorrente do governo para centralizar contratações sem licitação, amparadas na justificativa de que a estatal está “habilitada” a prestar serviços especializados.
O modelo, porém, levanta dúvidas sobre transparência, economicidade e prioridades da gestão.
A sucessão de contratos milionários evidencia a falta de rumo da gestão Wilson Lima.
Em vez de priorizar políticas públicas essenciais e honrar o discurso de austeridade, o governo aprofunda gastos que não dialogam com a realidade financeira do Estado — nem com as urgências da população.
Mais grave ainda: o Estado investe milhões em modelagens e consultorias antes mesmo de demonstrar capacidade de executar integralmente os projetos já existentes.
Confira os documentos
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