(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – A escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos pode ter impacto direto no bolso do consumidor brasileiro, com reflexos sobre combustíveis, alimentos e itens industrializados. O alerta foi feito por Jonathan Lopes, professor de Relações Internacinais, durante entrevista ao programa Cenário Político.
Segundo ele, o principal ponto de preocupação está no aumento do preço do petróleo, que já começou a reagir à tensão militar na região do Golfo Pérsico.
Petróleo mais caro pressiona toda a cadeia
Jonathan explica que o petróleo não afeta apenas o preço da gasolina. Ele está presente em praticamente toda a cadeia logística global, o que provoca um efeito em cascata sobre diversos produtos.
“Quando o petróleo sobe, sobe tudo. Não é só o combustível no posto. Sobe transporte, frete, alimentação, eletroeletrônicos e praticamente toda a economia”, afirmou.
Na avaliação do professor, esse é o principal caminho pelo qual uma guerra no Oriente Médio pode chegar rapidamente ao cotidiano da população brasileira.
Estreito de Ormuz é peça-chave da crise
O especialista destacou que o Estreito de Ormuz, área estratégica sob influência iraniana, é um dos pontos mais sensíveis da atual crise.
“Ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo produzido no planeta. Se há instabilidade naquela região, o mercado reage imediatamente”, explicou.
Segundo ele, o Irã sabe que sua posição geográfica pode ser usada como instrumento de pressão global, principalmente sobre países dependentes da estabilidade energética.
Gasolina, alimentos e eletrônicos podem subir
Jonathan apontou que o aumento no barril do petróleo já começou a impactar projeções econômicas internacionais, com possibilidade de inflação adicional em vários países.
“O impacto vai da banana que vem do interior até celular, combustível e mercadoria importada. Tudo que depende de transporte sente esse aumento”, disse.
Para o consumidor brasileiro, isso pode significar aumento gradual de preços nas próximas semanas, sobretudo se o conflito continuar sem perspectiva de desescalada.
Inflação global preocupa mercados
O professor citou estimativas de pressão inflacionária global diante da alta do petróleo, o que tende a influenciar também a economia brasileira.
“A inflação global pode subir, e isso obviamente afeta também o Brasil, seja nos alimentos, seja nos combustíveis ou em produtos industrializados”, avaliou.
A depender da duração da guerra, o conflito pode deixar de ser apenas uma crise internacional e se transformar em um problema com efeitos concretos no dia a dia do brasileiro.
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