Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Hospital Santa Júlia mantém equipe afastada e entrega relatório, enquanto perícia investiga suposta overdose de adrenalina

Médica e técnica de enfermagem prestaram depoimento; Justiça concedeu habeas corpus preventivo à médica.

Justiça obriga White Martins a fornecer oxigênio líquido ao Hospital Santa Júlia

(Foto: Reprodução/hospital Santa Júlia)

Manaus (AM) – O Hospital Santa Júlia, em Manaus, publicou uma nota em suas redes sociais afirmando que concluiu as investigações internas sobre a morte de um menino de 6 anos ocorrida no dia 23 de novembro, após a criança supostamente receber uma dosagem incorreta de adrenalina por via intravenosa.

Segundo nota divulgada nas redes sociais, a Comissão de Óbito e Segurança do Paciente finalizou o relatório e manteve o afastamento das profissionais envolvidas no atendimento, medida adotada desde o início da apuração.

“Todas as informações levantadas serão formalmente repassadas às autoridades competentes e à família. Reforçamos que desejamos conduzir todo o processo com total transparência, oferecendo apoio à família em tudo o que for necessário. Seguimos comprometidos com a segurança do paciente, a ética e a responsabilidade assistencial que orientam a atuação da instituição”, diz trecho do comunicado.

A unidade afirmou ainda que conduz o caso com “seriedade e transparência”, reconhecendo a gravidade do episódio e a dor dos familiares e da sociedade.

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Entenda o caso

O pai da criança relatou que o filho foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo ele, a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos. Afirmou que questionou a via de administração, já que o menino nunca havia recebido adrenalina pela veia, apenas por nebulização. Ele diz que uma técnica de enfermagem também declarou nunca ter aplicado o medicamento por via intravenosa, mas que seguiria a prescrição médica.

Após a primeira aplicação, conforme relato do pai, o menino apresentou piora súbita. Já na UTI, o quadro se agravou e a equipe decidiu realizar a intubação. Durante o procedimento, a criança sofreu seis paradas cardíacas. De acordo com o pai, a sexta parada foi a mais prolongada, ocasião em que o menino teria expelido sangue pelo nariz e pela boca.

O pai afirma ainda que, mesmo após ser reanimado na sexta parada cardíaca, o filho voltou a piorar minutos depois e não respondeu às novas manobras de reanimação. A morte foi confirmada às 2h55 de domingo.

Decisão

A técnica de enfermagem e a médica prestaram depoimento no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) nesta sexta-feira (28/11). De acordo com a decisão da Justiça, a médica responderá em liberdade após receber habeas corpus preventivo. A defesa negou irregularidades e diz que ela tentou reverter a piora do paciente, mas médicos ouvidos no inquérito afirmaram que não há antídoto para overdose de adrenalina, apenas medidas de suporte clínico.

O delegado Marcelo Martins informou que o caso está sendo investigado como homicídio doloso qualificado. Na quarta-feira (26), o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) deu início a um processo administrativo para investigar o óbito do menino.

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