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22 de abril de 2021
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‘Ir ao supermercado com R$ 200, hoje, não é garantia de fartura na mesa’, diz autônoma

Entre os itens que mais tiveram reajuste estão o óleo de soja e o arroz. Só em 2020, o óleo subiu mais de 118% e o arroz mais de 61%

‘Ir ao supermercado com R$ 200, hoje, não é garantia de fartura na mesa’, diz autônoma

A alta nos preços dos alimentos, principalmente nos que fazem parte da cesta básica (carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo, manteiga), tem sido motivo de muita reclamação, em Manaus, por quem vai às compras e percebe que já não se compra a mesma quantidade de itens que na compra anterior, devido aos constantes reajustes.

Uma das pessoas que questionou os preços encontrados nas prateleiras é a autônoma Raphaela Vital, mãe solteira de dois filhos e que faz doces e tortas para o sustento da casa. Ela disse que cada dia, os preços dos alimentos ficam mais caros e que, de uma compra para outra, os itens diminuem nas sacolas.

“Ir ao supermercado com R$ 200, hoje, não é mais garantia de fartura na mesa, antes era. Agora, com a pandemia, ficou muito mais difícil. O que se comprava antes com esse valor, agora você traz em duas sacolas”, disse a autônoma.

Raphaela defendeu, ainda, que vale mais a pena comprar nos mercadinhos de bairro do que em redes de supermercados da cidade. “Para mim, ainda é mais vantagem comprar nos mercadinhos de bairro do que nos supermercados, principalmente para quem não tem condução própria. Só vale a pena ir neles quando têm boas promoções”, disse.

De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA), do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o brasileiro teria que ter um salário mínimo de R$ 5.495,52, em janeiro de 2021, para seu sustento e bem-estar.

Entre os itens que mais tiveram reajuste estão o óleo de soja e o arroz. Só em 2020, o óleo subiu mais de 118% e o arroz mais de 61%.

Leia mais: Balanças de supermercados de Manaus podem estar adulteradas, denuncia vereador

Para a assistente social, Elisângela Fernandes, que está desempregada e vive com a renda do esposo, a alta nos preços faz com que cada vez mais as pessoas fiquem em um círculo “vicioso”, com a utilização de cartão de crédito para comprar alimentos.

“Está tudo tão caro que temos que entrar no cartão de crédito e ficar vivendo nesse ciclo [sic]  comprando só o mais necessário. Outra coisa, temos que substituir alguns itens de preferência, por similares”, disse Elisângela.

Elisângela disse que até a frequência de sua ida aos supermercados diminuiu. “Antes, eu ia duas vezes ao mês, agora vou apenas uma e o que vai faltando, como açúcar, café, arroz e outros itens, compro nos mercadinhos próximo de casa, mesmo”, comenta.

A técnica de enfermagem, Márcia Souza, disse que o que ela percebeu que mais aumentou foram os preços da carne e do leite. “Eu faço compras de 15 em 15 dias e o que mais subiu de preço foram as carnes e o leite. Em relação a verduras e frutas eu acredito que estão os mesmos preços. Os outros itens tiveram reajuste mais não foi tanto assim.”, disse Márcia.

Preocupações do consumidor 

Para o economista e professor, Orígenes Martins Júnior, dois fatores estão deixando o consumidor preocupado com a alta no valor dos itens da cesta básica: os alimentos que estão atrelados ao valor do dólar, como o arroz, soja, feijão e a carne e o outro vem com a desvalorização da moeda na atual conjuntura.

“Temos aqui duas situações distintas e bastante complicadas para o consumidor de menor renda. A primeira diz respeito ao aumento de preços de alguns itens, principalmente aqueles que estão na classe das comoditties, produtos que o nosso país exporta em grande quantidade e o preço de mercado fica atrelado ao dólar, o que torna estes itens muito salgados para quem tem uma renda limitada”, iniciou o economista.

“O outro é quanto ao poder aquisitivo do brasileiro, no qual atingimos uma taxa de desvalorização das maiores. Desde o início do Plano Real, os salários não são reajustados e o desemprego ou os auxílios emergenciais não são suficientes para atender suas necessidades”, concluiu Orígenes.

O economista também chegou a citar uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que aponta que uma família de quatro pessoas teria que ter um salário acima de R$ 4,5 mil para atender suas despesas mensais com habitação, alimentação, vestuário, transporte, educação, saúde e lazer, valor este, quatro vezes maior que o salário mínimo atual de R$ 1,1 mil.

“A solução seria substituir por outros alimentos, porém, as opções são muito limitadas e no nosso caso, até o peixe, que é um produto regional, acaba tendo um valor aumentado pela falta de uma política de armazenamento e incremento na atividade profissional da pesca. Estes são, em resumo, os principais motivos que levam muitos consumidores, no desespero, por não conseguir atender às suas necessidades de consumo básicas, se endividar e entrar na triste estatística dos insolventes”, finaliza.

A reportagem do Portal Amazonas 1 entrou em contato com a assessoria de duas redes de supermercados em Manaus, a fim de comentarem os motivos que têm deixado os itens da cesta básica mais cara para os manauaras.

As perguntas foram direcionadas à Associação Amazonense de Supermercados (Amase), todavia, até o fechamento desta edição, não obteve retorno das informações solicitadas. O espaço fica aberto para quaisquer esclarecimentos futuros.

 

 

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