(Foto: Acrow/Depositphotos)
Manaus (AM) – O Irã tem apostado em uma estratégia de guerra assimétrica para enfrentar militarmente Estados Unidos e Israel, segundo análise do professor de relações internacionais Jonathan Lopes. Em vez de tentar igualar poderio bélico com os adversários, o país busca encarecer o conflito e prolongar o desgaste dos rivais
“O Irã sabe que não tem a mesma capacidade militar dos Estados Unidos e de Israel juntos. Então ele faz uma guerra mais barata, mas que gera um custo muito alto para o adversário”, afirmou.
Drones e mísseis mudaram o jogo
Na avaliação do especialista, o avanço tecnológico do Irã em drones, mísseis e equipamentos de menor custo alterou o equilíbrio do confronto.
“O Irã desenvolveu tecnologia própria de guerra aérea e naval, com drones e mísseis de produção mais acessível, o que permite sustentar a guerra por mais tempo”, explicou.
Esse tipo de estratégia é relevante porque força os adversários a responder com equipamentos e sistemas muito mais caros.
Objetivo é tornar a guerra insustentável
Jonathan afirma que a lógica iraniana não é vencer rapidamente no campo militar, mas sim aumentar o custo político, econômico e estratégico da ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel.
“Se você derruba ou ameaça um equipamento militar bilionário com um míssil ou drone muito mais barato, você muda o cálculo da guerra”, disse.
Segundo ele, esse modelo já começa a produzir efeito ao pressionar os próprios aliados ocidentais e os países da região.
Conflito pode migrar para guerra naval
O professor também avalia que a guerra tende a avançar de uma fase predominantemente aérea para uma etapa com maior peso naval, sobretudo no entorno do Estreito de Ormuz.
“A tendência é que a guerra mantenha os bombardeios, mas ganhe cada vez mais um contorno naval”, afirmou.
Nesse cenário, o Irã também teria vantagem relativa por atuar em uma área que conhece bem e que possui enorme importância estratégica para o fluxo global de petróleo.
Resistência iraniana surpreende cenário internacional
Embora Jonathan reconheça que o Irã enfrenta um bloco militar mais poderoso, ele afirma que o país demonstrou uma capacidade de resistência acima do esperado.
“O Irã pode até perder militarmente em algum grau, mas mostrou que não vai facilitar. Ele tem resistência, profundidade territorial e capacidade de prolongar o conflito”, concluiu.
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