Itamarati é o terceiro município do estado a decretar emergência em 2026, ao lado de Eirunepé e Boca do Acre. No mesmo período do ano passado, o nível do rio na cidade era de 17,44 metros, o que demonstra uma elevação significativa neste ano.
Em Eirunepé, o rio atingiu 16,57 metros também nesta quinta-feira (19). Já em Boca do Acre, a cota chegou a 16,39 metros na última segunda-feira (16). Segundo a Defesa Civil do Amazonas, os três municípios apresentam níveis superiores aos registrados no mesmo período de 2025.
De acordo com André Martinelli, gerente de Hidrologia do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as chuvas intensas nas regiões de cabeceira das bacias hidrográficas explicam a cheia. Segundo ele, nessas áreas foram registradas cotas recordes, e o tempo de resposta aos eventos de chuva é muito rápido, podendo ocorrer variações de até cinco metros em poucos dias.
O especialista destacou ainda que a cheia nessas regiões é causada principalmente pelo volume de precipitação e que os fenômenos climáticos influenciam diretamente o padrão das chuvas e, consequentemente, o nível dos rios.
Situação no estado
Atualmente, nove municípios estão em alerta: Lábrea, Canutama, Tapauá, Pauini, Envira, Ipixuna, Guajará, Carauari e Juruá.
Outros 13 estão em atenção: Apuí e Humaitá, no rio Madeira; Tefé, Maraã, Jutaí e Fonte Boa, no Médio Solimões; Amaturá, Tonantins, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Benjamin Constant, Tabatinga e Atalaia do Norte, no Alto Solimões. Os demais 37 municípios do estado seguem em situação de normalidade.
O monitoramento aponta que as nove calhas de rios do Amazonas estão em processo de enchente, com previsão de chuvas acima da média nas regiões oeste e centro-sul. A estimativa é que a cheia atinja 35 municípios e afete cerca de 173 mil famílias, mais de 690 mil pessoas.
O governo do estado informou que realiza ações como distribuição de cestas básicas, envio de medicamentos e reforço no atendimento às comunidades isoladas. O Corpo de Bombeiros atua na Operação Inverno Amazônico, com foco na prevenção de deslizamentos e erosões.
A Defesa Civil alerta que o pico da cheia nos rios Juruá e Purus pode ocorrer nas próximas semanas.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Itamarati para saber quais medidas estão sendo adotadas para atender as famílias afetadas e quantas pessoas já foram impactadas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.