Manaus, 31 de julho de 2026
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Manaus, 31 de julho de 2026

Brasil

Mãe de menina que morreu em ataque a escola divulga carta: ‘não tenho mais lágrimas’

A família estava em processo de mudança para outro estado quando a tragédia aconteceu

Mãe de menina que morreu em araque de escola divulga carta aberta

Selena ao lado dos pais (Foto: Arquivo Pessoal)

ESPÍRITO SANTO – Thais Fanttini Sagrillo Zuccolotto, mãe de Selena Sagrillo, 12 anos, uma das vítimas fatais do ataque armado a escolas na cidade de Aracruz, no Espírito Santo, divulgou uma carta aberta sobre o sofrimento de perder a filha em uma tragédia. Na mensagem, ela clama por mais amor, piedade e segurança para as crianças.

A mãe relata que encontrou o diário da filha, no qual uma das mensagens que a menina escrevia contava: “Sentada em meio ao pequeno caos criativo que era seu quarto, encontrei um texto que […] dizia: ‘Vai ter um dia em que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia é hoje. Eu esperei minha vida inteira. E tudo está bem.’ […] Realmente o dia estava próximo para minha filha”, diz a mãe da menina que cursava o 6º ano.

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A família estava em processo de mudança da cidade para o estado da Bahia. Esses eram os últimos dias de Selena na escola. A mãe não estava em Aracruz no momento em que o crime aconteceu. O corpo da menina foi sepultado no cemitério de Pendanga, no município de Ibiraçu.

Leia a carta na íntegra:


Escrevo este texto do computador e quarto de minha filha Selena, que agora amargam sua ausência. Escrevo, pois não tenho mais voz para falar, não tenho mais lágrimas para chorar.
O lamento, a dor e angústia que estavam no meu peito antes, agora, começam a dar lugar ao sentimento de entendimento, aceitação e saudade.

Sentada em meio ao pequeno caos criativo que era seu quarto, encontrei um texto que falou tão profundamente em meu coração que não consigo deixar de compartilhar com vocês, que tanto estão nos dando forças neste momento. O texto dizia:

“Vai ter um dia em que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia é hoje. Eu esperei minha vida inteira. E tudo está bem. Completei meus 11 anos e tinha voltado ao bairro e à escola que cresci depois de dois anos em São Mateus (ES), e eu disse: Vai um dia que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia está próximo.”

Realmente o dia estava próximo para minha filha. Havia 1 mês e cinco dias que ela havia completado 12 anos. O dia de sua morte, dia 25/11, foi também o dia do aniversário de meu pai e seu avô José. Dia 01/12 será aniversário de seu outro avô, Laudérico. Daqui a trinta dias será Natal. Minha filha não verá os próximos jogos da copa do mundo e nunca mais se empolgará com um gol como aquele do Richarlyson, que ela achou “incrível”.

Jamais verei do que ela seria capaz. Ela estava se tornando uma mulher poderosa, alma livre, feminina. A promessa de uma vida inteira foi desfeita. Todo um futuro interrompido. A custo do ódio, do desamor, do terror. Não venho aqui clamar por retaliação, pois de ódio, estou farta.
Clamo por piedade e por segurança para nossas crianças serem as milhões de pequenas revoluções que elas poderiam ser. Segurança nas escolas, ruas, casas. Abrigadas e protegidas de todos os desterros do mundo. Longe da violência, drogas, armas e abusos.

Que a partida da Selena seja o início de uma nova revolução, assim como ela gostava, mas uma revolução baseada no amor e segurança para nossas crianças de todas as etnias, regionalidade, classe social e crença.

Esse é um lamento e um grito de uma mãe que padece com a perda de uma filha. Peço que nos mandem orações, amor, energias boas, seja qual for sua crença. Que o mundo se una pela Selena, assim como ela escreveu em seu texto, e por tantas outras Selenas pelo mundo.


Ass. Thais Fanttini Sagrillo Zuccolotto

(*) Com informações do G1