Venezuelanos deixam rodoviária e vão para abrigo com capacidade para 300 pessoas | | Amazonas1

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Venezuelanos deixam rodoviária e vão para abrigo com capacidade para 300 pessoas

Debaixo da estrutura do Viaduto de Flores, ocupado desde o final do ano passado, estavam 65 famílias, sendo 54 homens, 85 mulheres e 150 crianças, além de quatro idosos e três recém-nascidos. (Foto: Bruno Zanardo/Secom)

Os venezuelanos, um total 297, que ocupavam o Viaduto de Flores e os arredores da Rodoviária de Manaus, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul, foram retirados do local na tarde desta quinta-feira (1°), e transferidos para o abrigo do Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Família do Governo do Amazonas. Um espaço preparado para receber os migrantes.

Debaixo da estrutura do Viaduto de Flores, ocupado desde o final do ano passado, estavam 65 famílias, sendo 54 homens, 85 mulheres e 150 crianças, além de quatro idosos e três recém-nascidos. As famílias permaneceram no local, em barracos improvisados, por aproximadamente seis meses.

A transferência dos venezuelanos para o abrigo foi coordenada pela Secretaria Estadual de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) com o apoio da Secretaria de Assistência Social (Seas), do Fundo de Promoção Social (FPS) e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). As equipes da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) também ajudaram na limpeza do local e na retirada dos barracos. Três ônibus, duas vans e dois caminhões baú auxiliaram no transporte das famílias e de seus pertences.  

O Governo do Estado, desde a chegada dos primeiros migrantes tem atuado no processo de acolhimento das famílias. Segundo a titular da Sejusc, Graça Prola, além do serviço de acolhimento, as pessoas receberão no abrigo apoio de equipes multissetoriais do Estado e da Prefeitura, incluindo assistentes sociais e psicólogos.

“Estamos, desde dezembro, quando começaram a chegar os primeiros migrantes, trabalhando de maneira intersetorial, com órgãos dos governos estadual, federal e municipal, em uma ação coesa, articulada, e atuando não somente no acolhimento dos indígenas venezuelanos, mas também no atendimento de todas as demandas emergentes, como documentação e na área da saúde”.

A mudança para o abrigo, segundo a Sejusc é temporária. Segundo a secretária Graça Prola, alguns migrantes buscam apoio para retornar ao país de origem ainda este mês, outros procuram trabalho e pretendem voltar até o final do ano.

Vida marcada

A passagem pela cidade pode até ser provisória ou definitiva para outras famílias, mas para a do venezuelano Nestor Moraledo, 36, já se tornou marcante. Em Manaus, nasceu há três meses mais uma filha do imigrante. Prematura de seis meses – hoje com nove – ela é quem dá forças para a família lutar. Ele conta que por ela vai buscar trabalho para, em dezembro, voltar a Venezuela.

“Estava passando fome na Venezuela e por isso vim para Manaus. Minha esposa veio grávida e aqui nasceu minha filha. Eu pretendo trabalhar e ganhar algum dinheiro para voltar ao meu país”, conta.

Para a liderança dos Warao, o indígena Aníbal Peres, a transferência para o abrigo é o primeiro sinal positivo que às famílias recebem desde que chegaram à cidade. “Vir para o abrigo representa um acolhimento. Lá onde estávamos era um lugar ruim, sem estrutura e sem perspectiva de algo melhor. Com a ajuda que estamos recebendo, ficar aqui no abrigo é muito melhor que na rodoviária”, comenta.

Além de uma nova moradia os venezuelanos vão contar com o apoio da estrutura do Governo para assistência social e acolhimento. “O acolhimento inicial continuará no Posto de Atendimento ao Migrante da rodoviária que fará o encaminhamento, a triagem médica junto ao posto da Semsa e, depois, ao abrigo na zona leste”, explica Graça Prola.

O abrigo

De acordo com a secretária Estadual de Assistência Social, Regina Fernandes, o abrigo enquadra-se na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, prevista na Resolução Federal nº 109, de novembro de 2009, que, dentre outras coisas, trata de proteção social especial de alta complexidade. O acolhimento para adultos e famílias, de acordo com a Resolução, tem como finalidade abrigar pessoas ou grupos familiares em situação de rua, de desabrigo por abandono e de migração.

Regina Fernandes explica que, este não é o primeiro serviço de acolhimento a migrantes do Governo do Estado, que já dispõe da Casa do Migrante Jacamim, na Avenida Mário Ipiranga Monteiro. A onda de imigração por conta crise humanitária na Venezuela, que provocou a vinda de muitos imigrantes daquele país para Manaus, levou o Governo a disponibilizar um espaço maior, que, segundo o governador David Almeida, passada esta fase, também servirá para o acolhimento de pessoas vindo do interior do Estado para tratamento de saúde em Manaus, entre outras situações contempladas na Resolução.

O local, onde estão abrigados os venezuelanos, tem capacidade para acolher 300 pessoas em um espaço dotado de área comum com redário para 180 redes, dormitórios, cozinha, refeitório, banheiros, lavanderia, quintal e salas, onde funcionará a área administrativa do prédio. Além disso, o abrigo é equipado com mobiliário e utensílios domésticos (cadeiras, mesas, fogão, geladeira, panelas, etc).

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que atuou na reforma do abrigo, vai oferecer escolarização para adultos e crianças.

Números

Conforme a Sejusc, há atualmente 516 venezuelanos na capital. Desse total, 297 estavam morando ao redor da rodoviária de Manaus e outros espalhados principalmente no Centro da cidade. Aproximadamente 33 imigrantes venezuelanos retornaram para a terra de origem, entre dezembro do ano passado e maio deste ano.

Fonte: Secom

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