Manaus, 15 de setembro de 2026
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Manaus, 15 de setembro de 2026

Cenário

Maria do Carmo diz que seca e cheia não são crise climática no AM

Em sabatina, candidata cita tufões, furacões e até nevasca para definir o que considera uma crise climática.

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(Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) — A candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo (PL) relativizou, nesta segunda-feira (14), a relação entre os períodos de seca e cheia enfrentados pelo estado e a crise climática. Durante sabatina da Rede Amazônica, ela afirmou que esses fenômenos fazem parte da realidade amazonense e citou tufões, furacões e até uma eventual “nevasca” como exemplos do que consideraria uma crise climática.

“Quando tem seca e cheia, a gente não está falando de crise climática. Eu digo que crise climática aqui no Amazonas seria tufões, furacões, cair nevasca, algo surreal”, afirmou.

A declaração coloca a candidata em contraste com alertas científicos e de organismos internacionais sobre os efeitos das mudanças climáticas. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que o aquecimento global agrava períodos de seca em regiões vulneráveis e que o aumento das temperaturas favorece chuvas e inundações extremas.

A ONU também destaca que tempestades, enchentes e incêndios florestais, embora não sejam fenômenos novos, estão se tornando mais frequentes e intensos em razão das mudanças climáticas.

Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU, também aponta um cenário de extremos hídricos cada vez mais severos, marcado por secas prolongadas e enchentes históricas. Segundo o levantamento, o aquecimento global atua como agravante desses eventos, aumentando sua frequência e intensidade.

No Brasil, a Amazônia aparece diretamente nesse cenário. O relatório destacou que a seca extrema iniciada em 2023 avançou durante 2024, provocando redução dos níveis dos rios, prejuízos ao transporte fluvial e isolamento de comunidades ribeirinhas.

O contraste ganha peso diante do histórico recente do próprio Amazonas. Nos últimos anos, o estado enfrentou períodos severos de estiagem, com rios em níveis críticos, comunidades isoladas, dificuldades de navegação, queimadas e impactos no abastecimento.

Dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostram que, entre junho e julho deste ano, a área atingida pela seca no Amazonas dobrou de 30% para 60% do território estadual. A parcela sob seca moderada também passou de 6% para 8%.

O próprio Governo do Amazonas adotou medidas preventivas neste ano com base em informações de órgãos como Cemaden, Inpe, Inmet e Serviço Geológico do Brasil. Os alertas consideram a possibilidade de redução das chuvas, aumento das temperaturas, prolongamento da estação seca, redução dos níveis dos rios e maior risco de incêndios florestais.

O Serviço Geológico do Brasil também mantém monitoramento da estiagem na Região Norte justamente para permitir que órgãos públicos adotem medidas antecipadas diante dos prognósticos climáticos.

O ponto de pressão, porém, permanece na própria definição apresentada durante a sabatina. Enquanto Maria do Carmo associa uma crise climática no Amazonas a fenômenos incomuns na região, como tufões, furacões ou uma nevasca, organismos científicos e ambientais apontam justamente para a intensificação de fenômenos já existentes, entre eles secas, chuvas extremas, ondas de calor e incêndios, como consequências associadas ao aquecimento do planeta.

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